sábado, 8 de fevereiro de 2014

O Lobo de Wall Street


Todos sabemos que a qualidade de Martin Scorsese é inquestionável, afinal, ele dirigiu filmes que são considerados clássicos na história do cinema. Longas como Taxi Driver (1976),  O Touro Indomável (1980) e Os Bons Companheiros (1990). Entretanto, suas mais recentes obras se mostram cada vez mais ousadas e não menos qualificadas. É claro que podemos atribuir um fator importante para isso, Leonardo DiCaprio. Essa parceria já foi realizada cinco vezes: Gangues de Nova York (2002),  O Aviador (2004), Os Infiltrados (2006), Ilha do Medo (2010) e agora, O Lobo de Wall Street.
 
O filme é baseado na história real de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), jovem ambicioso que sonha com a riqueza fácil conquistada na Bolsa de Valores de Wall Street. Sem emprego, ele descobre a mina de ouro na venda de ações que estão fora do pregão; são empresas pé de chinelo, algumas que não têm a menor chance de fazer sucesso, vendidas por uma ninharia. Mas que pagam a que vendê-las uma gorda comissão. Com uma lábia afiada, não demora muito para que Jordan se dê bem na nova profissão. Mais ainda não demora muito para que descubra o melhor meio de capitalizar o sucesso financeiro é fundando uma empresa que lhe traria rios de dinheiro: a Stratton Oakmont.
 

Logo na primeira cena, percebemos que esse filme não se utiliza dos velhos vícios da narrativa clássica ao contar a história de um homem de visão que, chegou à riqueza e depois sucumbiu à decadência. Não. Scorsese mais uma vez mostra sua habilidade de narração e nos apresenta a história sendo narrada pelo próprio protagonista. Até se utiliza, de uma certa maneira, de metalinguagem. Em determinados momentos o personagem principal conversa com o telespectador. Durante o filme todo, planos de câmeras não convencionais para esse tipo de narrativa são usados. Fugindo assim do velho clichê e "inovando" o jeito de contar a história já vista muitas vezes no cinema. Afinal, ascensão e queda é tema recorrente em filmes.
 
O diretor acerta também no elenco. Claro que DiCaprio como protagonista se destaca. Sua atuação é exímia do começo ao fim. Seu personagem sofre uma transformação ao longo da trama e o ator acompanha essa mudança magistralmente, há momentos de drama, momentos de desespero, momentos hilários (a maioria deles) e em nenhum deles Leonardo deixa de nos convencer. É incrível como ele consegue acompanhar o ritmo frenético do filme sem deixar a qualidade cair. Definitivamente merece a sua indicação ao Oscar desse ano. Os outros coadjuvantes também completam a qualidade técnica,  principalmente Jonah Hill, fiel parceiro de Jordan Belfort, nos brinda com uma atuação "sem noção" e hilária.


O Lobo de Wall Street é de fato um filme politicamente incorreto, porém, que se orgulha disso. E é exatamente por isso que o faz ser bom. Trata-se de um chute na porta, um filme que não tem medo de ser subversivo e ainda por cima gosta disto. São três horas de drogas, mulheres, bebida, luxo e todo tipo de fantasia (com anões, carros, animais) que o dinheiro pode pagar. E ao mesmo tempo, é um filme que mostra como o ex-corretor da Bolsa de Nova York tem o "dom da palavra"; como ele se utiliza da retórica e se beneficiou com isso. Com polêmicas e discussões conceituais, o novo filme de Martin Scorsese já entra para a lista dos melhores filmes que o diretor fez. Scorsese desafia o espectador a questionar não só o que vê mas também o que sente.

 
 
8,5 PIPOCAS!

Ficha técnica:

The Wolf Of Wall Street – EUA, 2013 – 180 min.

Direção: Martin Scorsese

Roteiro: Terence Winter

Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, P.J. Byrne, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jon Bernthal, Kenneth Choi, Henry Zebrowski, Jean Dujardin, Cristin Milioti, Matthew McConaughey, Jon Favreau, Brian Sacca, Spike Jonze, Joanna Lumley, Ethan Suplee, Jake Hoffman



 
Trailer (legendado):
 
 

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