sábado, 5 de outubro de 2013

Invocação do Mal

 
Embora eu não tenha assistido todos os grandes clássicos do gênero, eu ainda considero os filmes de terror o estilo menos atraente da sétima arte. Todos os últimos filmes de terror que assisti foram decepcionantes. Não consigo me envolver e ser atraído com a história da mesma maneira que quando assisto outros tipos. Por isso, sempre que há um lançamento, minhas expectativas aumentam. E foi exatamente isso que aconteceu com Invocação do Mal. Mas, mais uma vez, foi a decepção que  me tomou, e não o medo.
 
Baseado em uma história real, o longa se passa em uma casa mal-assombrada, para onde a família Perron se muda, liderada por Lili Taylor por Ron Livingston. Quando fica claro que uma entidade obscura os está perseguindo, eles chamam os investigadores paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) para ajudar.
 
 
O tom "documental" que o diretor James Wan usa de início, como se estivéssemos diante de um programa investigativo de TV sobre o casal Warren, ajuda a dar ao filme, não só uma cara de terror-baseado-em-fatos, mas principalmente um clima de desafetação. Você acreditar que tudo que está sendo mostrado aconteceu de verdade, é o grande trunfo que a produção poderia conseguir. Mas e se eu não acreditar? Por isso, deve-se escolher bem o local onde a história irá ser passada. E isso, com certeza, é o ponto forte do filme.
 
O cenário pode ser um grande clichê, mas a maneira como é mostrado, não é. Pois não é pelo choque ou pelo grotesco que James Wan nos pega, e sim pela forma como se move na casa. Todos os planos de câmera e cortes são muito bem escolhidos. Passeamos diversas vezes, em diversos ângulos, por todos os cômodos da residência, fazendo com que o espectador se familiarize e se sinta literalmente "em casa". A montagem do filme usa o número de portas em cada quarto para nos desnortear, e a multiplicidade de ângulos (câmera ora no teto, ora de ponta-cabeça) e de perspectivas (câmera sobre o ombro da mãe, do pai, das filhas, é gente demais num lugar que já não parece grande o suficiente) termina de fazer o trabalho. Claro que tendo como protagonistas uma família de sete pessoas (sendo cinco filhas de diferentes idades), ajuda na identificação da trama, mas fica evidente que a maneira como foi filmado é a principal responsável  por criar a tensão.
 
 
Mas além da técnica, não há nada no filme que me agradou. Todos os outros elementos de "medo" são explorados da mesma forma que muitos outros filmes. Objetos que se movem sozinhos, sussurros na noite, portas que batem, e por aí em diante. Há sim vários momentos que assustam, mas não me deram medo. Assustam mais por causa da trilha alta, explodindo na cena, do que o medo criado por algo inexplicável. Sem contar das diversas cenas que não fazem sentido nenhum se colocadas na nossa realidade. Exemplo: se você está dormindo, e acorda de madrugada devido um forte barulho não identificado, você levanta da cama no escuro total e vá investigar o que aconteceu, ou levanta e acende a luz antes de mais nada? Se a ideia é convencer o espectador à acreditar em tudo que está acontecendo, acho que "truques" cinematográficos desse tipo não deveriam ser utilizados.
 
Apesar de tudo, Invocação do Mal não é um filme ruim. Mas também não chega nem de perto o filme espetacular que está sendo vendido. Talvez os mais impressionáveis, ou que não tenham visto muitos filmes do gênero o julguem formidável. Mas infelizmente é algo que simplesmente se assiste e se esquece, porque não passa de uma coletânea de tudo que já vimos antes inúmeras vezes. E a expectativas por um filme de terror que me deixe com medo de verdade continua aumentando.
 
 
 
5 PIPOCAS!
 
 
 
 
Ficha técnica:
 
The Conjuring – EUA, 2013 – 112 min.
 
Direção: James Wan
 
Roteiro: Chad Hayes, Carey Hayes
 
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor, Ron Livingston, Shanley Caswell, Hayley McFarland, Joey King, Mackenzie Foy
 


 
Trailer (legendado):
 

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