domingo, 18 de agosto de 2013

Círculo de Fogo

 
Círculo de Fogo chega aos cinemas com a missão de suprir a carência de fãs de tokusatsus – seriados de produção japonesa que possuem como tema central robôs e monstros gigantes, famosos no Brasil nas décadas de 1980-1990 –  pois até então, nunca teve nas telonas uma superprodução descente e convincente. Após tanto alerde e divulgação, o ótimo e respeitado diretor Guillermo Del Toro nos apresenta sua grande homenagem, porém, talvez não consiga suprir toda a nostalgia pedida.
 
Quando várias criaturas monstruosas, conhecidas como Kaiju, começam a emergir do mar, tem início uma batalha entre estes seres e os humanos. Para combatê-los, a humanidade desenvolve uma série de robôs gigantescos, os Jaegers, cada um controlado por duas pessoas através de uma conexão neural. Entretanto, mesmo os Jaegers se mostram insuficientes para derrotar os Kaiju. Diante deste cenário, a última esperança é um velho robô, obsoleto, que passa a ser comandado por um antigo piloto (Charlie Hunnam) e uma treinadora (Rinko Kikuchi).
 
 
O diretor mexicano Guillermo Del Toro ficou conhecido perante o grande público a partir das obras O Labirinto do Fauno – filme que ganhou três Oscars das seis indicações que recebeu em 2007 –, Hellboy (2004) e Hellboy II – O Exército Dourado (2008). Nessas produções, fica claro o quanto o diretor é bom em criar seres fantásticos, logo, não teria ninguém melhor para produzir e dirigir um longa onde seres fantásticos predominam a história. Nesse sentido, eu concordo. Tanto os monstros alienígenas, quanto os robôs gigantes são perfeitos. Todos os detalhes, desde o sangue fosforescente dos aliens, que ao mesmo tempo é nojento, mas é lindo, até toda a movimentação e características físicas dos Jaegers são incríveis. É literalmente um deleite visual, e sem dúvida o grande ponto positivo do filme.
 
Juntando tudo isso, fica óbvio que as cenas de ação também são memoráveis. Pensando em todos os detalhes, o diretor quis filmar e fazer as cenas todas em escala real. Sendo assim, não vemos batalhas como vimos em Transformers, por exemplo. Nenhum robô gigante dá saltos de dez metros de altura e nem realiza saltos mortais no ar. Eles lutam e se locomovem seguindo a física real. Talvez o processo mais criativo e "fantasioso" é a neuroconexão que os pilotos dos Jaegers precisam ter para utiliza-los. Porém, tudo é feito de uma maneira descomplicada, que faz com que o telespectador entenda facilmente e não tenha que se preocupar com a "teoria científica" da coisa.
 
 
Como a ameaça é mundial, temos equipes e Jaegers do mundo todo. Isso é também uma boa ideia do roteiro, pois é possível  explorar ao todo cinco robôs gigantes, cada um com características e acessórios únicos. São vindos da China, Austrália, Estados Unidos, Japão e Rússia. É muito legal ver como cada um se comporta em batalha e como cada um se utiliza da sua tecnologia única (o Jaeger australiano é o mais novo e o mais rápido, por exemplo). Equipes diferentes, com comportamentos diferentes.
 
Porém, o que deixa a desejar é a construção e desenvolvimento dos personagens. É quase nulo. Temos um núcleo principal de três personagens que levam o roteiro até o fim, mas mesmo assim esse desenvolvimento é mal realizado. Os atores deixam a desejar tanto, acredito que o elenco foi mal escalado. Não sei se a intenção foi essa, mas os personagens são estereótipos exagerados já conhecidos. Temos os cientistas cômicos, o militar valentão, o capitão em fim de carreira, a garota "frágil" lutando para ser reconhecida, etc. Absolutamente nada que já não vimos anteriormente. O roteiro também não se preocupa muito com isso. Há situações "forçadas" e sem sentido em determinados momentos.
 
 
É explícito que Círculo de Fogo é uma grande homenagem a cultura japonesa, desde o início Guillermo não escondeu isso, porém é uma pena que o filme seja apenas isso. Uma homenagem. É uma obra que poderia ser lembrada para sempre, mas apenas nos satisfaz com uma simplicidade feita para consumo rápido, nos trazendo de uma certa maneira, uma satisfação quase infantil, com um festival de cores e sons. Supriu a minha necessidade nostálgica? Somente por ora.
 
 
7,5 PIPOCAS!
 
 
 
Ficha técnica:
 
Pacific Rim – EUA, 2013 – 131 min.
 
Direção: Guillermo Del Toro
 
Roteiro: Guillermo Del Toro, Travis Beacham
 
Elenco: Charlie Hunnam, Rinko Kikuchi, Idris Elba, Charlie Day, Max Martini, Burn Gorman, Rob Kazinsky, Ron Perlman, Clifton Collins Jr.
 


 
Trailer (legendado):
 
 

domingo, 11 de agosto de 2013

Wolverine – Imortal

 
Wolverine é o segundo personagem mais vendável da Marvel Comics (só perde para o Homem-Aranha), logo, não é à toa que o cinema explora ele ao máximo. Além de ser o "protagonista" nos três longas dos X-Men, ele teve um filme solo (com certeza uma das piores adaptações já realizadas) e quatro anos depois, estreia mais um longa nos cinemas, Wolverine – Imortal.
 
Após a morte de Jean Grey, Wolverine se sente extraído do mundo e não vê mais propósito para viver, e mais uma vez se entrega ao espírito medíocre vivendo nos bares e becos. É quando um homem que teve sua vida salva por Logan a décadas atrás, está a sua procura. Então Wolverine viaja para o Japão para poder revê-lo. E em gratidão por ter salvo a sua vida, seu amigo então lhe oferece a mortalidade.
 
 
O filme foi todo baseado na história em quadrinhos de Chris Claremont e Frank Miller intitulada Eu Wolverine (1982), em que Logan viaja ao Japão para recuperar o amor da bela Mariko Yashida. A ambientação e algumas referências da história são nítidas, mas há  uma vasta liberdade em relação aos quadrinhos. A começar pelo motivo que leva o herói ao Japão. Isso foi o que mais me desagradou, pois o Wolverine nunca foi imortal. Nas HQs é bem claro que ele envelhece, porém de uma maneira mais devagar do que as pessoas comuns, graças ao seu fator de cura. Apesar disso, todos os personagens japoneses – inéditos no cinema – são bem desenvolvidos e sua relação com o mutante é satisfatória. A ambientação também agrada, é raro um filme considerado blockbuster de Hollywood ter tantos trechos com legendas e ser respeitoso à tradição que está sendo retratada. Todos os cenários são lindos. Vimos desde a periferia de Tóquio, com ruas cheias, prédios pequenos e comércio de rua, até vilarejos modestos e paisagens deslumbrantes.
 
 
Até certo ponto, o filme não parece ser um filme de super-heróis convencional. Tem sensibilidade e paciência ao retratar os momentos entre Logan (Hugh Jackman) e Mariko (Tao Okamoto). As cenas de ação são boas, bem coreografadas com estética que lembram muito os quadrinhos. Com exceção apenas da sequência do trem bala que achei extremamente exagerada. Porém, as concessões do clímax, que tenta recuperar o entusiasmo que acredita ter perdido no desenvolvimento tranquilo do filme é com certeza o erro do longa. Explodem aí na tela os vilões cartunescos, que explicam seus planos, demonstram poderes e cometem suas atrocidades, no caminho devastando um dos grandes personagens japoneses da Marvel, o Samurai de Prata.
 
Felizmente, o saldo é positivo e, diferente das expectativas, não vai enterrar a franquia do mutante no cinema. Não julguem o pobre Logan pelo seu último filme solo. E assistam a cena pós-créditos, ela é um teaser referente ao próximo filme mutante X-Men – Dias de um Futuro Esquecido!
 
 
7 PIPOCAS!
Ficha técnica:
 
The Wolverine – EUA, 2013 – 126 min.
 
Direção: James Mangold
 
Roteiro: Mark Bomback, Scott Frank
 
Elenco: Hugh Jackman, Famke Janssen, Svetlana Khodchenkova, Hal Yamanouchi, Tao Okamoto, Hiroyuki Sanada, Rila Fukushima, Brian Tee, Will Yun Lee
 


 
Trailer (legendado):