domingo, 28 de julho de 2013

O Homem de Aço


A jornada do Superman nos cinemas foi difícil. Depois dos cultuados seriados cinematográficos dos anos 1940, e os dois primeiros filmes com Christopher Reeve que são aclamados até hoje como duas das melhores adaptações de quadrinhos de super-heróis para o cinema, tivemos as outras duas continuações não tão queridas assim, e em 2006, o diretor Bryan Singer fez um filme-homenagem que desagradou a maioria. Mas, após o estrondoso sucesso da trilogia Batman de Christopher Nolan, a Warner aposta em mais uma adaptação, desta vez, O Homem de Aço.

Nascido em Krypton, o pequeno Kal-El viveu pouco tempo em seu planeta natal. Percebendo que o planeta estava prestes a entrar em colapso, seu pai (Russell Crowe) o envia ainda bebê em uma nave espacial, rumo ao planeta Terra, e levando com ele importantes informações de seu povo. Contrariado com tal atitude, o General Zod (Michael Shannon) tenta impedir a iniciativa e acaba preso. Já em seu novo lar, a criança foi criada por Jonathan (Kevin Costner) e Martha Kent (Diane Lane), que passaram a chamá-lo de Clark. O tempo passa, seus poderes vão aparecendo e se tornando, de certa forma, um problema, porque isso evidencia que ele não é um ser humano. Já adulto, Clark (Henry Cavill) se vê obrigado a buscar um certo isolamento porque não consegue resistir aos salvamentos das pessoas e sempre precisa sumir do mapa para não criar problemas para seus pais. Mas o terrível Zod conseguiu se libertar e descobriu seu paradeiro. Agora, a humanidade corre perigo e talvez tenha chegado a hora das pessoas conhecerem aqueles que passarão a chama de o Superman.

O início do filme se passa todo em Krypton. Foi criada uma nova mitologia para o planeta alienígena, e afirmo que de uma maneira linda. Há criaturas, paisagens e toda uma tecnologia específica bem diferentes do que estamos acostumados a ver nas adaptações anteriores. Os cenários e a geologia me lembraram os mesmos criados pelo ilustrador H. R. Giger para a série Alien. Detalhes da origem e motivos da destruição do planeta foram alterados, mas de uma maneira plausível e que não chegam a prejudicar a história. Sem dúvidas o visual é um ponto forte do longa.


Outro ponto positivo é a maneira não-linear  que o diretor Zack Snyder conta a história. Li críticas reclamando do excesso de flashbacks, mas eu discordo, achei que foram muito bem utilizados, de uma maneira simples e didática. São nessas cenas que o público consegue se relacionar com Clark Kent, vê-lo não como um alienígena, mas como alguém com sentimentos tão comuns quanto os seus. Contado em fragmentos, com boas elipses (o corte que acontece depois da queda da nave no Kansas é surpreendente) e flashbacks emotivos, O Homem de Aço não é um filme de heróis típico.

O vilão – ou vilões – também me agradaram. Não sou um leitor da DC Comics, então não posso dizer se a adaptação dos quadrinhos foi fiel ou não, mas o general Zod foi muito convincente. Houve momentos que me vi compreendendo os motivos pelo qual o renegado lutava. A caracterização, o armamento utilizado e as naves de transporte  foram bem utilizados dentro do contexto. Foram objetos típicos de uma boa ficção científica.

 
Mas, infelizmente o filme não possui só pontos positivos. O principal erro no meu ver foi o mal desenvolvimento dos personagens principais. Lois Lane é um exemplo. A sua personagem é introduzida na trama de uma maneira até aceitável, mas a evolução dela não. Desde o primeiro encontro da repórter com o Superman, até toda a importância que ela ganha no decorrer da história são bem mal explicados. Como o Kal-El descobre a sua origem e "ganha" seu uniforme não faz o menor sentido. Até a invasão alienígena que acontece na Terra é muito bem aceita por todos. Isso é forçar a barra para "esconder" furos de roteiro. Que por sinal, teve o desenvolvimento de Nolan.

É claro que como um filme de ação, ao contrário da versão de 2006, O Homem de Aço tem muita. E de uma forma espetacular. Claro que isso se deve ao estilo do próprio Snyder, que filma lutas como ninguém, com seus takes mais longos e físicos, privilegiando o impacto. Não só o Superman que parte para a porrada, como até seu pai, Joe-El (Russel Crowe), abandona a fachada de cientista calmo para revelar-se um sujeito cheio de recursos e capaz de tudo para defender a família e o planeta. A batalha final entre a tropa de Zod com o Superman, é incrível. Literalmente são dois deuses lutando entre meros humanos, e destruindo tudo ao seu redor sem o menor controle. Destruição épica. Cenas rápidas e complexas ao mesmo tempo. Fica difícil até de imaginar como foram filmadas. Típico filme que possui uma experiência única visto no cinema.


Assim, não é um pássaro... não é um avião... é apenas um filme, cuja missão de proteger o entretenimento foi plenamente garantida. Foi apresentado uma nova origem para o herói no cinema, de uma forma diferente e atual, com um desfecho que marca quem é este novo e sisudo Superman, que chega adaptado ao momento, carregando não apenas os valores pelos quais é conhecido, mas alguém que é capaz de reagir e tomar o controle da situação.


 
7 PIPOCAS!



Ficha técnica:

Man Of Steel – EUA, 2013 – 143 min.

Diretor: Zack Snyder

Roteiro: Christopher Nolan, David S. Goyer

Elenco: Henry Cavill, Diane Lane, Amy Adams, Michael Shannon, Kevin Costner, Ayelet Zurer, Russell Crowe, Harry Lennix, Lawrence Fishburne, Christopher Meloni, Antje Traue, Richard Schiff




Trailer (legendado):