domingo, 30 de junho de 2013

Guerra Mundial Z

 
Zumbis estão na moda. Isto é fato. Podemos conferir em diversas mídias e adaptações; como nas histórias em quadrinhos The Walking Dead, com o sucesso de audiência da série de TV do mesmo nome, na literatura, nos games e em diversos filmes lançados nos últimos anos, como: REC (2007), Zumbilândia (2009), Meu Namorado é um Zumbi (2013). Seguindo essa onda, é lançado a adaptação do livro de Max Brooks Guerra Mundial Z nos cinemas.
 
A trama acompanha Gerry Lane (Brad Pitt), funcionário da ONU que percorre o mundo numa corrida contra o tempo para deter a pandemia zumbi que está derrotando exércitos e governos, e ameaçando dizimar a própria humanidade.
 
Eu não li o livro então não posso dizer se a adaptação em si foi bem realizada, mas analiso o filme como gênero de apocalipse zumbi. O longa conta com ação constante do começo ao fim. São poucas as cenas onde há diálogos explicativos e didáticos, necessários para dar cadência a história. Há uma subtrama para ancorar tudo e aproximar emocionalmente o espectador com o personagem de Brad Pitt, Gerry Lane, ex-investigador das Nações Unidas habituado a conflitos ao redor do mundo, é incumbido de descobrir como conter a infestação, e enquanto Gerry puder ajudar, sua família estará a salvo no porta-aviões com o que restou do comando dos Estados Unidos. Partindo dessa premissa, a história se desenrola e Gerry viaja ao redor do mundo enfrentando a ameaça zumbi.
 
 
O que mais me chamou a atenção é que os mortos-vivos são extremamente idênticos aos mortos do game The Last Of Us. É incrível como tudo é parecido. São infectados que apresentam uma ira descomunal, são violentos e primitivos, até fazem os mesmos grunhidos estranhos e diferentes do que estamos acostumados a ver. Lembram um pouco os infectados de Extermínio, filme inglês de 2002. O diferencial aqui, é que a epidemia se alastra rapidamente, então vimos milhares de zumbis ao mesmo tempo. Isso causa uma tensão e angustia durante quase o filme todo. Vale a pena destacar a cena do muro de Israel e a cena final do laboratório. A desconfiança de alguns após assistirem os primeiros trailers em relação aos efeitos especiais não são confirmadas. Tudo está bem finalizado e nos convence.
 
O que eu realmente não gostei foi a decisão em deixar o filme menos sanguinolento, para pegar censura 13 anos nos EUA (e 12 no Brasil). A câmera evita enquadrar ações de impacto, como uma mão decepada ou um pé-de-cabra preso na cabeça de um zumbi – tudo isso é sugerido no extracampo – e mesmo as mordidas da peste canibal, a base de todo esse gênero, aqui não causam mais do que alguns machucados. Faltou sangue, e isso em um filme de zumbi é quase inaceitável. O que vale também é que as metáforas que sempre acompanham o gênero estão presentes. Fica claro a crítica em relação a superpopulação desenfreada e até mesmo o aquecimento global.
 
 
Para um filme que foi reescrito depois das filmagens em 2011, teve todo seu terceiro ato refilmado em 2012, e ao custo de estimados US$ 200 milhões acabou virando o mais caro filme de horror de todos os tempos, até que Guerra Mundial Z funciona, surpreendentemente. As ondas de zumbis dão conta do senso de ameaça que acompanha o filme até o fim, e ambientes escuros e luzes vermelhas dão o tom de horror. Brad Pitt faz seu papel sem comprometer, junto com os efeitos especiais. Guerra Mundial Z pode não ser o melhor filme de zumbi, mas pelo menos tenta trazer algo novo ao gênero já desgastado no cinema.
 
 
 
7,5 PIPOCAS!

 
 
 
Ficha técnica:
 
World War Z – EUA, 2013 – 116 min.
 
Diretor: Marc Forster
 
Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard, Damon Lindelof, J. Michael Straczynski, Max Brooks (livro)
 
Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz, James Badge Dale, Fana Mokoena, Ludi Boeken, Elyes Gabel, Pierfrancesco Favino, Peter Capaldi
 


 
Trailer (legendado):
 
 

sábado, 22 de junho de 2013

Depois da Terra

 
O diretor M. Night Shyamalan surgiu como uma grande promessa nos cinemas quando lançou em 1999  O Sexto Sentido. Depois realizou bons trabalhos com Corpo Fechado (2000), Sinais (2002) e A Vila (2004). Posteriormente a qualidade só piorou como vimos em  A Dama na Água (2006) e Fim dos Tempos (2008). Depois da Terra não é o melhor filme da sua carreira, mas está de longe de ser o pior.
 
O prólogo didático que abre o longa explica que, no futuro, a humanidade vive em um outro planeta, caçada por uma raça alienígena bestial que fareja o medo dos terráqueos (através de feromônios que liberados quando sentimos medo). O lendário general Cypher Raige (Will Smith) aprendeu a não ter medo – o que o torna invisível aos aliens – mas seu filho Kitai (Jaden Smith), não tem o mesmo autocontrole. Quando a nave dos dois cai na Terra, à mercê de mudanças climáticas extremas e espécies predadoras, cabe a Kitai aprender a dominar seu medo.
 
 
A premissa do filme não é tão diferente do que já estamos acostumados – afinal a "jornada do herói" e a busca de redenção está presente em quase todas as ficções científicas já feitas – mas aqui, tudo é mostrado e desenvolvido de uma maneira bem simples e técnica. Toda a trama se desenvolve na relação do pai com o filho. Há um tom melodramático na maior parte do filme, mostrando como as duas partes se relacionam, afinal, os dois são treinados e educados pelo método militar. O recurso para impactar ainda mais a situação foi utilizar flashbacks durante toda a história, e digo que foi muito bem feito.
 
Will Smith mais uma vez se destaca na atuação, encontra um tom de interpretação ideal para o seu personagem, entre a frieza e a quase emotividade, tem uma das melhores atuações de sua carreira. O que acaba evidenciando mais as deficiências do filho. Em alguns momentos é visível que Jaden ainda precisa estudar mais, porém acredito que isso não seja o suficiente para prejudicar o filme.
 
 
Toda a ação acontece na Terra, não a que conhecemos, mas sim um planeta que todos os seres vivos, desde animais até plantas, evoluíram com o único propósito de eliminar a raça humana. A ideia é boa, pois transformar o nosso planeta em um totalmente "novo" abre um leque de possibilidades criativas. Mas é aqui que o filme peca. Todo o visual está incrível, apesar de não nos mostrar nada realmente novo, mas os "obstáculos" e perigos encontrados por Kitai são poucos e de uma certa forma, decepcionantes. Acho que poderiam explorar mais esses pontos. Vale destacar a cena onde Kitai chega às "regiões frias" e a ideia do uniforme mudar de cor conforme as hostilidades do ambiente.
 
Como disse anteriormente a trama de Depois da Terra não é a mais criativa já vista, porém é uma boa história contata de uma maneira simples e afetiva. Mostrar o drama de um pai em busca de redenção, com um filho que faz o mesmo, em um cenário improvável, mostra mais uma vez que Shymalan ainda busca voltar a velha forma, ou a sua redenção. Espero que encontre. Da mesma maneira que Kitai encontrou a sua.

 
7,5 PIPOCAS!
 

 
Ficha técnica:
 
After Earth – EUA, 2013 – 100 min.
 
Diretor: M. Night Shyamalan
 
Roteiro: M. Night Shyamalan, Gary Whitta, Will Smith
 
Elenco: Jaden Smith, Will Smith, Sophie Okonedo, Zoë Kravitz, Glenn Morshower, Sacha Dhawan, Jaden Martin
 


domingo, 9 de junho de 2013

Se Beber, Não Case! – Parte III


Comédia não é um dos meus gêneros favoritos, mas sempre que alguém me pede uma indicação do mesmo, eu digo sem pestanejar: Se Beber, Não Case!, ainda considero a melhor comédia que já assisti. É um filme criativo, engraçado sem exageros, com situações imprevisíveis. Pena que essas características se perderam ao longo das continuações; e agora a terceira parte estreia para reforçar a qualidade do primeiro filme.
 
Na terceira parte da série, não tem casamento e nem despedida de solteiro. A trama principal é focada em Alan (Zack Galifianakis), seus amigos e família querem que ele se interne em uma clínica para voltar a tomar seus medicamentos e melhorar seu comportamento. Logo, cabe ao "Wolf pack":  Phil (Bradley Cooper) e Stu (Ed Helms) levá-lo para uma terceira volta de carro, que termina novamente com o sequestro de Doug (Justin Bartha).
 

Logo nos dez primeiros minutos fica claro que o filme em si não é apenas uma comédia. A primeira cena mostra uma rebelião em um presídio de segurança máxima em Bangcoc de uma maneira épica. Cenas em slow motion de dar inveja a qualquer filme de ação. E a partir daí o filme se consolida mais como um heist movie (filme de golpe) do que a comédia quebra-cabeça das aventuras anteriores. Todos os personagens estão lá, mas as situações cômicas e criativas não. Diria que o melhor personagem – e que de certa maneira se torna o problema a ser resolvido – é Mr. Chow (Ken Jeon), mais uma vez competente e engraçado, chega a roubar a cena várias vezes durante o longa.
 
O melhor do filme talvez seja a conclusão do "arco" de Alan – o verdadeiro herói da saga. Em todos os roteiros ficava explícita a loucura, a carência e a inaptidão social do rapaz. Ao mostrar o amadurecimento tardio do personagem de Galifianakis, acontecido especialmente depois de ter encontrado a sua “alma gêmea”, o roteiro encerra uma fase na vida do personagem e convida o espectador a comprar a ideia de que cedo ou tarde, nós todos vamos encontrar algo que nos incentive a mudar para sermos pessoas melhores.
 
 
Se Beber, Não Case! – Parte III não é um filme ruim, mas infelizmente nada mais me surpreende. Todas as propriedades  que fizeram o sucesso da franquia se perderam. Fica explicito que a continuação é só comercial, afinal, os dois primeiros filmes renderam juntos mais de um bilhão de dólares no mundo. É triste que Hollywood só pensa em gerar lucros, pois Se Beber, Não Case! (2009), poderia ser lembrado para sempre como uma ótima comédia, agora com a interferência de mais dois filmes é lembrada apenas como mais uma caça-níquel da indústria.
 
 
6 PIPOCAS!
 
 
 
The Hangover – Part III EUA, 2013 – 100 min.
 
Diretor: Todd Phillips
 
Roteiro: Todd Phillips, Craig Mazin
 
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Ken Jeong, John Goodman, Melissa McCarthy, Heather Graham, Jeffrey Tambor
 
 
 

domingo, 2 de junho de 2013

Jovens Adultos

 
A adolescência talvez seja a fase mais difícil das nossas vidas. Mais difícil ainda é lidar com ela na escola, onde temos que conviver com diversas pessoas com caráteres em formação. Quando tudo termina é nesta época que muita gente arruma as malas e vai para outra cidade, sem jamais olhar para trás. É nesse contexto que acompanhamos a personagem Mavis Gary em busca de redenção com o seu passado.
 
O filme mostra Mavis Gary (Charlize Theron) como uma ghostwriter, autora que escreve uma série de livros para adolescentes cuja febre já passou e foi cancelada. Divorciada, ela retorna para sua cidade natal no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, disposta a reconquistar seu ex-namorado na época de colegial, Buddy Slade (Patrick Wilson). Acontece que ele atualmente está casado com Beth (Elizabeth Reaser) e acaba de ganhar uma filha. Mesmo assim Mavis não desiste, já que acredita que Buddy na verdade está infeliz e quer retornar para a mulher dos seus sonhos, ou seja, ela.
 
 
Embora este conceito faça muito mais sentido para a cultura estadunidense, onde ser o mais popular é também status de sucesso, o filme também pode ecoar nas mentes de quem nasceu em uma cidade pequena de qualquer lugar do mundo, se encheu daquilo e daquelas pessoas e foi morar em um lugar onde as coisas não se resumem a se casar, ter filhos e passar as noites vendo televisão. Ao sair de sua cidade natal, Mavis estava ao mesmo tempo enterrando seu passado e abrindo novos horizontes, buscando uma felicidade que ela não via ali. Mas o filme mostra que, sim, existe felicidade naquele estilo de vida – como também existe mediocridade em ficar morando em um lugar que você não gosta apenas porque tem medo de sair dali.
 
Com essa premissa, a roteirista Diablo Cody (a mesma do ótimo filme Juno) mostra mais uma vez seu talento. Com bons diálogos e situações que mesclam drama e humor negro, ela consegue junto com o diretor Jason Reitman, fazer a gente pensar nas coisas e ver naquele microcosmos uma realidade mais próxima da nossa do que imaginaríamos no começo. É fácil se identificar em algum ponto do filme. E esse talvez seja o maior trunfo da história. O resto fica por conta dos atores, e aí Charlize Theron mostra que pode ser linda e "bagaceira" com a mesma intensidade, com direito a momentos de total entrega. Ótima atuação em todo o filme.
 
 
Jovens Adultos é daqueles filmes difíceis de classificar. Você pode assistir ele e identificar apenas uma comédia com toques de drama, ou pode entender como um drama com toques de comédia, mas o fato que ele é mais do que isso. É um filme que nos faz pensar e refletir. Ele mostra que o mundo é muito maior do que aquela cidadezinha do interior. Ou aquele trabalho chato que você só atura porque acha que não há nada mais a fazer.  Mas sempre há.
 
7
7 PIPOCAS!
 
 
 
Young Adult – EUA, 2011 – 94 min.
 
Diretor: Jason Reitman
 
Roteiro: Diablo Cody
 
Elenco: Charlize Theron, Patton Oswalt, Patrick Wilson, Elizabeth Reaser