terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Django Livre

 
Amor e ódio. Essas palavras são lembradas sempre que falamos do diretor Quentin Tarantino. Muitas pessoas o amam, mas muitas outras o odeiam. Com uma linguagem específica e com características únicas, Quentin não consegue agradar a todos, mas quem gosta de seu estilo, sempre vai gostar de suas obras. Após três anos de intervalo, Django Livre é a mais nova produção do diretor.
 
Django (Jamie Foxx) é um escravo liberto cujo passado brutal com seus antigos proprietários leva-o ao encontro do caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz). Schultz está em busca dos irmãos assassinos Brittle, e somente Django pode levá-lo a eles. Ao realizar seu plano, Schultz libera Django, embora os dois homens decidam continuar juntos. Desta vez, o doutor busca os criminosos mais perigosos do sul dos Estados Unidos com a ajuda de Django. Dotado de um notável talento de caçador, Django tem como objetivo principal encontrar e resgatar Broomhilda (Kerry Washington), sua esposa, que ele não vê desde que ela foi adquirida por outros proprietários.
 
 
Podemos analisar o filme em apenas três atos. O primeiro é dominado pela eximia atuação de Christoph Waltz. É incrível como ele mescla com maestria um humor sádico e uma seneridade de uma ação para outra. Seu personagem é muito bem desenvolvido do começo ao fim e mesmo não sendo o principal, no primeiro ato ele se torna. Confesso que me lembrou um pouco o coronel Hans Landa de Bastardos Inglórios (2009) e é claro que os ótimos diálogos realizados por Tarantino ajudam muito, mas Waltz mereceu a indicação ao Oscar sem dúvida.
 
No segundo ato acontece a introdução do escravo livre Django. O personagem principal demora para acontecer e não se desenvolve muito bem. O roteiro em si não fica totalmente redondo, não sei se por causa de cenas delatadas (há mais de 30 minutos cortados da edição final do filme), mas principalmente Django não convence em determinados momentos. Por exemplo, ele sendo apenas um escravo, quando liberto, mostra toda uma destreza e agilidade em diversas situações que nem o Dr. King se sente confortável.
 
Finalmente, o terceiro ato mostra a conclusão da trama e apresenta os vilões do longa. Calvin Candie (Leonardo DiCaprio) é incrível. Merece ser destacado como um dos melhores vilões do cinema. Acredito que poderia ter sido melhor explorado, mas nas cenas onde aparece rouba a atenção. Sínico e sereno, DiCaprio nos faz odiar Candie, é um lado que o ator nunca tinha mostrado antes no cinema. Outro personagem que toma forma no terceiro ato é Stephen (Samuel L. Jackson), um velho escravo de Calvin, que o ajuda em suas maquinações. Performance extraordinária de Samuel. Hilárias em alguns momentos e odiosas em outros.
 
 
O estilo Tarantino está presente. A trilha, sempre escolhida por ele, continua excelente. Temos até uma música composta pelo próprio Jamie Foxx. Os planos de câmera seguem a linha, mas dessa vez o diretor abusa de slow motion e claro, do já conhecido hiper close. Os cenários são lindos, montanhas, campos, rochedos complementam perfeitamente todo o clima do filme. É um verdadeiro deleite visual.
 
Com Django Livre, Tarantino mostra que está "amadurecendo" cada vez mais. Ele reflete sobre o passado – com o tema da escravidão e o gênero fora de moda do faroeste –, mas consegue levá-lo ao presente; consegue ser ao mesmo tempo crítico, reflexivo, engraçado, perverso. Como já disse antes, acho que há falhas no roteiro e alguns personagens poderiam ter sido melhores aproveitados, mas Quentin Tarantino prova mais uma vez que sabe contar uma boa história com seus incríveis diálogos e situações anormais. Consegue ser tão moderno quanto clássico.
 
 
 
8,5 PIPOCAS!
 
 
 
Django Unchained – EUA, 2012 – 165 min.
 
Direção: Quentin Tarantino
 
Roteiro: Quentin Tarantino
 
Elenco: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Zoë Bell, Kerry Williams, James Remar