quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Drive

 
Quando Drive chegou aos cinemas brasileiros, a minha curiosidade foi desperta, por tudo que a mídia especializada estava dizendo e por se tratar de um filme do dinamarquês Nicolas Winding Refn, vencedor do prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes. Infelizmente, não tive a oportunidade de vê-lo no cinema, mas assisti o DVD em casa. E posso dizer que a minha curiosidade foi totalmente saciada, e por um lado bom.

Na trama, um dublê de Hollywood (Ryan Gosling), que à noite trabalha como motorista de fugas para criminosos – com um talento raro para pilotar carros – e na oficina de Shannon (Bryan Cranston), a quem trata quase como pai, descobre que há um preço pela sua cabeça depois que ajudou o namorado ex-presidiário (Oscar Isaac) de sua vizinha (Carey Mulligan) em um golpe que acabara mal.
 
 
É com uma trama realmente simples que o filme surpreende. A forma como o diretor mostra as situações que são consideradas clichês, define todo o roteiro e o visual do filme. Lembrando muito a estética dos filmes oitentistas, fica evidente o talento do dinamarquês para filmar sempre pensando numa iconografia, por exemplo, o ator principal aparece com frequência nos cantos do Scope, o que reforça o seu caráter de justiceiro solitário, e o galã reage bem a essa proposta. Com uma jaqueta dourada, tendo um escorpião às costas – um símbolo do personagem; (em determinado momento, ele se refere à história da rã e do escorpião), ele, talvez por participar de filmagens, parece ter dificuldades para ter uma personalidade própria: o palito no canto da boca e o olhar de quem guarda segredos que não podem ser ditos parecem mais clichês de justiceiros do cinema. Ryan Gosling realmente se destaca e se consagra com a melhor atuação do longa.
 
 
O que se destaca também é a violência intensa presente em quase toda a dissolução da história. Elementos de filmes de máfia fazem parte em um modo geral de toda ação. E é nesse momento que o filme se mostra mais do que é. Não importa a ação e nem o ritmo, a forma como é mostrado e editado, tanto pelos planos de câmera, pela trilha e pelo o uso da câmera lenta, é o que faz a diferença. A mescla de gêneros – momentos de drama, ação, e até mesmo romance – faz com que o filme se torne surpreendente. 
 
Drive é um clichê original.



 
7,5  PIPOCAS! 




Drive – EUA, 2011 – 100 min.            

Direção: Nicolas Winding Refn

Roteiro: Hossein Amini, James Sallis (livro)

Elenco: Ryan Gosling, Carey Muligan, Albert Brooks, Bryan Cranston, Ron Perlman, Oscar Isaac, Christina Hendricks





Um comentário:

Rafael! disse...

Eu assisti esse filme. É um bom filme, o problema foi a propaganda que a mídia especializada fez, aumentando minhas expectativas sobre o filme.