sexta-feira, 7 de setembro de 2012

50%


O câncer e a turbulência que ele provoca na vida de sua vítima já foram retratados de diversas maneiras no cinema: do melodrama açucarado à comédia de humor negro. Na televisão americana, dois ótimos seriados também abordam o tema: a série de ação Breaking Bad (2008-2011) e a comédia dramática The Big C (2010-2011). Desta vez, ele é retratado em 50%.
 
O longa veio para o Brasil direto para as locadoras e é baseado no livro I’m With Cancer, uma biografia do roteirista Will Reiser. Conta a história de Adam (Joseph Gordon-Levitt) um jovem de 27 anos que leva uma vida saudável e regrada, ao lado de sua namorada Rachael (Bryce Dallas Howard). O rapaz trabalha numa rádio em Seattle ao lado de seu melhor amigo Kyle (Seth Rogen). Após sentir dores na região lombar, ele procura um médico e é diagnosticado com um tumor maligno na coluna. Após uma pesquisa na internet, ele descobre que tem 50% de chance de sobreviver à doença.


Levado com uma tocante sensibilidade, o longa pode ser considerado o primeiro feeling good movie sobre câncer. O diretor Jonathan Levine acerta em cheio em tocar o filme para frente mostrando claramente a dor de parentes e amigos que percebem que alguém próximo tem a doença, as dúvidas sobre o futuro que o diagnosticado pode enfrentar e ao mesmo tempo tratar tudo isso com um olhar focado nas chances que a pessoa tem de melhora. Afinal, se uma doença te dá 50% de chances de vida, porque olhar apenas para a outra metade?

Outra qualidade do filme é saber diluir a comédia no drama, nos presenteando com momentos emocionantes (como o do colapso nervoso de Adam) e algumas tiradas engraçadas. Mesmo que o trabalho do jovem diretor Jonathan Levine não seja notável, ele demonstra sensibilidade ao retratar o universo ligeiramente melancólico de Adam.


A qualidade técnica do filme também deve ser lembrada. Edição, fotografia, trilha sonora estão impecáveis, e as atuações não deixam por menos. Nunca antes o papel de Seth Rogen como Seth Rogen foi tão bem colocado. Anna Kendrick como a psicóloga de Adam ganha vários pontos por sua simpatia, Serge Houde como o pai com alzheimer aparece pouco, mas ganha peso numa das partes finais do longa, e Anjelica Huston surge como a típica mãe protetora, mas sem exagerar a ponto de deixar o espectador a ponto de não gostar dela. Mas é realmente Joseph Gordon-Levitt que convence à todos como o sujeito que aceita tudo que acontece com ele e vai se transformando aos poucos em alguém que não quer desistir. Acredito que Joseph já é considerado um dos melhores atores da "nova geração" e tem tudo para continuar melhorando. Será um ator lembrado por todos no futuro.

50% tenta fugir dos extremos, não investindo nem no melodrama, nem numa abordagem fria. O roteiro do filme exibe uma visão que revela a sinceridade tocante de alguém que já vivenciou o drama da doença. Sendo assim, o longa não minimiza o sofrimento de se estar com câncer, mas também não faz dele uma tragédia. Acompanhamos, ao longo da história, a evolução da maneira com a qual o protagonista lida com sua nova realidade, as etapas da sua aceitação. É um filme que mescla drama, humor e emoção de uma maneira muito coesa. É um ótimo filme que revela um retrato sensível da luta pela vida.


 
8  PIPOCAS!
 
 
 
 
50/50 EUA, 2011 – 100 min.
 
Direção: Jonathan Levine
 
Roteiro: Will Reiser
 
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen, Bryce Dallas Howard, Anna Kendrick, Anjelica Huston, Serge Houde