terça-feira, 19 de junho de 2012

MIB – Homens de Preto 3


É incrível como eu consigo lembrar fácil de MIB – Homens de Preto (1997). Basta eu fechar meus olhos e cenas do filme veem a minha cabeça. Agora, MIB 2 (2002) é um grande branco na minha memória. Parece até que fui vítima do neurolizador e todas as lembranças que eu poderia ter do segundo filme foram apagadas. Mas na verdade, eu sei o motivo. Enquanto o primeiro filme teve um ótimo roteiro, boas piadas, excelentes efeitos especiais, bons personagens, originalidade; o segundo se preocupou apenas em explorar os efeitos especiais e a ação desmedida, limitando-se a reciclar piadas e situações já vistas no filme anterior. Analisando dessa maneira, alguém pergunta: "MIB precisa de mais uma continuação?" e eu respondo: "Com certeza. Para ficarmos com algo bom na lembraça." E ainda bem que isso acontece.

A trama começa quando Boris, o Animal (Jemaine Clement) consegue escapar da prisão e sai atrás daquele que o prendeu, K (Tommy Lee Jones). Mas o seu plano não se restringe apenas a vingar os últimos 40 anos em que passou na prisão. Ele decide voltar no tempo para matar o seu captor e ainda impedir que toda a sua raça seja extinta. Cabe então a J (Will Smith) voltar também no tempo e impedir que tudo isso aconteça.


A grande qualidade desse terceiro longa, é que ele lembra muito mais o primeiro do que o segundo. Mesmo o roteiro não tendo grandes novidades, nem conceitos inéditos de viagens no tempo, ele é bem conduzido e estruturado. As piadas estão ótimas e Will Smith rouba a cena mais uma vez. Todos os aliens estão criativos e perfeitos da concepção à execução. Logo na primeira cena, temos a certeza da qualidade que veremos ao longo do filme. E temos ainda todas as criaturas dos anos 1960, que foram criadas à imagem que se tinha dos alienígenas daquela época, com aquário na cabeça, cara de peixe, etc.

O grande vilão da trama deve ser elogiado também, um ótimo trabalho de Jemaine Clement. Boris, o Animal, convence tanto quanto o "Edgar", a barata gigante do primeiro MIB, e muito mais do que a dupla Johnny Knoxville e Lara Flynn Boyle do segundo. Ele é cruel e mata sem escrúpulos, fora possuir uma grande importância na trama central. Outro personagem que também merece ser lembrado é Griffin (Michael Stuhlbarg), o carismático alienígena que está ali para guiar os protagonistas (e principalmente ao público) na trama, ensinando o básico sobre as viagens no tempo, o que acontece ao se mexer no passado e os presentes alternativos que podem coexistir. Griffin está ali para esclarecer qualquer outra dúvida que surgir pelo caminho. E por falar em viagens no tempo, toda a ambientação no passado é impecável, principalmente o K jovem interpretado por Josh Brolin. É impressionante como ele conseguiu pegar a entonação e os trejeitos do velho Tommy Lee Jones e recriá-las à perfeição. É esta viagem no tempo que traz ao filme um frescor que faltou ao segundo.


O filme tem um desfecho nunca visto antes na saga, algumas pessoas podem torcer o nariz para o sentimentalismo que eles tentaram dar ao filme, mas a verdade é que é uma saída que faz sentido e ainda homenageia o que foi feito antes. E para quem não gostar, tem sempre o neurolizador.
 
 
 
8 PIPOCAS!
 
 
 
Men in Black 3 – EUA, 2012 – 106 min.

Direção: Barry Sonnenfeld   

Roteiro: Etan Cohen

Elenco: Will Smith, Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Jemaine Clement, Michael Stuhlbarg, Emma Thompson
 

 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Os Vingadores – The Avengers


Desde quando a Marvel Comics decidiu ter um estúdio cinematográfico próprio, eu sabia que ela se utilizaria da sua principal característica: a interação de seus personagens. Pois, um dos grandes trunfos da Marvel nas décadas de 1960 e 1970, foi justamente fazer seus personagens interagirem entre si. Com isso, ficava claro que eles não estavam isolados em seu próprio universo, e sim, que faziam parte de um universo como todo. É comum ver o Homem-Aranha participar de histórias do Quarteto Fantástico, ou os X-Men enfrentarem um vilão do Demolidor, por exemplo. Se essa é a sua principal característica nos quadrinhos, porque não explora-la no cinema? E é exatamente isso que acontece em Os Vingadores.

Quando um inesperado inimigo aparece e ameaça a segurança e a tranquilidade do mundo, Nick Fury, diretor da agência internacional de pacificação conhecida como S.H.I.E.L.D., se vê em busca de uma equipe capaz de tirar o mundo da iminência de um desastre. A trama foi se estabelecendo entre os filmes Homem de Ferro (2008);  O Incrível Hulk (2008);  Homem de Ferro 2 (2010); Thor (2011) e Capitão América – O Primeiro Vingador (2011), mas quem nunca assistiu nenhum filme solo dos personagens principais, não tem com o que se preocupar, a história é fechada e coesa, sem problemas de entendimento. E para quem achava que não era possível criar um bom roteiro com tantos personagens, se enganou, o filme não é só ação por si, tem uma boa história estruturada.
 

É incrível como o diretor Joss Whedon consegue dar destaque para todos os personagens, até mesmo os não tão badalados Gavião Arqueiro e Viúva Negra. Joss não tem muita experiência no cinema, foi o criador dos seriados Buffy – A caça-vampiros, Angel e Firefly; e  dirigiu apenas um filme, Serenity (2005), mas é um excelente roteirista e escritor, são dele, por exemplo, os primeiros arcos de uma das mais empolgantes séries em quadrinhos dos mutantes da Marvel, Os Surpreendentes X-Men. Todo o seu conhecimento do mundo dos super-heróis é mostrado no filme, Joss soube exatamente como manejar as participações de cada um de seus superprotagonistas, dando a eles funções específicas e importantes dentro da trama. Não gostei apenas da forma como a S.H.I.E.L.D. foi explorada. Nas histórias em quadrinhos, ela é de suma importância dentro do universo Marvel, mas no filme ela é tratada apenas como um mero expectador da eminente catástrofe mundial.

Mesmo com tantos personagens, Anthony Stark é o que mais se destaca (mesmo o porque, o filme do Homem de Ferro foi o que mais lucrou depois de Os Vingadores). Não poderia ser diferente, Robert Downey Jr. está fantástico mais uma vez, com o seu humor ácido e comentários engraçados. O estreante no papel de Hulk, Mark Ruffalo (em O Incrível Hulk quem fez o papel foi Edward Norton) está muito bem também, tanto como Bruce Banner, como a fera Hulk, Mark consegue mesclar bem os dois lados do personagem. Diria até que esse pode ser o Hulk definitivo no cinema. Thor (Chris Hemsworth) e Loki (Tom Hiddleston) estão melhores do que em seu filme solo, principalmente o vilão, que se torna uma real ameça para todos. Chris Evans, o Capitão América, se encaixa bem como líder da equipe, só lamento por não ter o famoso "Avante, Vingadores" gritado por ele, mas quem sabe em uma continuação?


A ação está incrível, mas que fique claro, que ela não é o foco do filme, o primeiro ato, por exemplo, é bastante arrastado em comparação ao explosivo e superelaborado clímax (Michael Bay poderia aprender aqui uma lição de como relacionar personagens e focos de ação distintos em um todo coeso). Tanto a cena final, da destruição em Nova York, como as "batalhas" entre os heróis, estão excelentes, quase impecavéis. O que merece ser destacado também, é o lado cômico que o filme tem. Quase todos os alívios cômicos estão ótimos, se misturam com a ação de uma maneira muito pertinente. Com certeza esse é o filme de super-heróis mais engraçado.

Para quem, como eu, cresceu lendo essas histórias e acompanha o Universo Marvel como um casamento de décadas (nos bons, maus e péssimos momentos), portanto, ver a reunião das franquias Homem de Ferro, Thor, Capitão América e Hulk é uma vontade realizada. E vê-la bem realizada, um deleite. Os Vingadores – The Avengers é um filme de ação bem estruturado, que explora os pontos fortes de todo seu elenco e dá ao fã – leitor ou novato, que conheceu esse universo no cinema – exatamente o esperado,  entra desde já como mais um marco na celebrada história da Marvel e do cinema.

9,5 PIPOCAS!

 
 
The Avengers – EUA, 2012 – 142 min.

Direção: Joss Whedon

Roteiro: Zak Penn, Joss Whedon

Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Clark Gregg, Cobie Smulders, Stellan Skarsgård, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow, Paul Bettany, Alexis Denisof, Tina Benko