sexta-feira, 16 de março de 2012

Poder Sem Limites


A chamada filmagem em estilo documental amador está cada vez mais frequente nos filmes de hoje. Tivemos ao longo desses últimos cinco anos, várias produções que se utilizaram dessa técnica. Para citar algumas: REC (2007); Cloverfield – Monstro (2008); Atividade Paranormal (2009); entre outras. Nesse ano tivemos a estreia de Poder Sem Limites que se utiliza dessa estética, porém, não para encobrir defeitos e carências, mas sim por simples opção.

O filme fala sobre três garotos, Andrew Detmer (Dane DeHaan), Matt (Alex Russell), e Steve Montgomery (Michael B. Jordan),  que durante uma rave, encontram um estranho buraco que leva a um artefato subterrâneo. Banhados por sabe-se lá o quê, eles começam a desenvolver poderes telecinésicos. A partir daí o filme vira uma espécie de Jackass, com os moleques treinando suas recém-descobertas capacidades da maneira mais pueril possível: aplicando pegadinhas, se jogando coisas na cara, levantando a saia das meninas, exatamente o que adolescentes fariam se tivessem tal oportunidade. Nada de vestir fantasias e salvar o mundo.


O primeiro ato do filme explora demais a estética de filmagem amadora, com quadros que cortam as cabeças dos atores, câmera tremida e defeitos no áudio. Mas isso dá uma proximidade que ajuda a entender os personagens.  Andrew é o principal deles, é o típico esquisitão nerd do colégio, que sofre com valentões e tem sérios problemas com o seu pai alcoólatra. Seu primo metido a filósofo, Matt, e o atleta Steve Montgomery são mais populares, mas igualmente estereotipados dentro do universo colegial dos EUA que estamos tão habituados a ver nos cinemas. Já nos atos seguintes, conforme os garotos refinam seus poderes, começam até a manipular a câmera e o filme vai ganhando mais qualidade. Surgem também os ótimos efeitos especiais e fica claro que não estamos perante de um Atividade Paranormal, mas de algo mais perto de Cloverfield – Monstro. E é aqui que eu questiono que o filme não precisaria ter utilizado o estilo documental amador, pois fica claro o investimento envolvido.



E quando o clímax chega, fica a dúvida se a Warner Bros. precisa mesmo realizar uma adaptação para as telonas de Akira (1988). A influência do animê e mangá de Katsuhiro Otomo é clara no trabalho de Trank, que a utiliza misturando câmeras de segurança, filmagens de celular, de notíciários em uma explosão de ação totalmente inesperada. É o ponto alto do filme, Dane DeHaan rouba a cena com uma atuação muito realista e convincente. A estética amadora contribui muito para isso.

Acho que essa fórmula de documentário amador já cansou, mas tenho que admitir que uma boa ideia explorada da maneira correta pode render um bom filme. Em Poder Sem Limites isso acontece, ele desafia expectativas e, no caminho, prova que a fórmula também pode ser revista e que há muitos caminhos possíveis para o gênero. Garotos nem sempre vão ser garotos.



7,5 PIPOCAS!




Chronicle – EUA, 2012 – 84 min.

Direção: Josh Trank

Roteiro: Josh Trank, Max Landis

Elenco: Dane DeHaan, Alex Russell, Michael B. Jordan, Michael Kelly, Ashley Hinshaw, Bo Petersen, Anna Wood 
 




Um comentário:

RAFAEL 8o disse...

Filme muito bom. \o/