quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança


O Motoqueiro Fantasma é um personagem da Marvel Comics que pertence ao selo Marvel Knights, ou seja, é um personagem com temática mais adulta. Suas histórias possuem um contexto mais sombrio e realista do que os personagens mais comerciais, como por exemplo, o Homem-Aranha, os X-Men, Os Vingadores, etc. Ele pode ser classificado também como um personagem do segundo escalão Marvel, pois não é muito conhecido pelo grande público. No cinema, Blade foi o primeiro desse mesmo segmento que foi adaptado, lhe rendeu três filmes. O Motoqueiro Fantasma, teve seu primeiro longa em 2007, não foi um sucesso, mas também não foi um fracasso total, tanto que lhe rendeu uma continuação.

Na história, Johnny Blaze (Nicolas Cage) está escondido no leste europeu, tentando encontrar uma maneira de controlar sua maldição. Mas lá, ele é recrutado por uma seita secreta da igreja para salvar um garoto do Demônio (Ciaran Hinds), que pretende encarnar no corpo de um garoto, Danny Ketch (Fergus Riordan). Após Johnny se envolver emocionalmente com Danny e sua mãe (Violante Placido) ele faz de tudo para ajudá-los e salvar o garoto.


O segundo longa do Motoqueiro Fantasma é melhor que o primeiro (piorar é que seria um verdadeiro feito), e é principalmente um filme de ação direto e rápido, bem diferente do que estamos acostumados a ver nas adaptações atuais. É visível as características da dupla de diretores Mark Neveldine e Brian Taylor, que dirigiram anteriormente produções como Gamer (2009) e Adrenalina 1 e 2 (2006 e 2009). O filme tem um ritmo frenético, filmada no melhor estilo x-games.
 
A caracterização do personagem principal é a melhor coisa do filme, o Motoqueiro ficou muito mais convincente e realista. Me lembrou até das capas de Jae Lee. As chamas da sua cabeça estão excelentes, o movimento, as cores, a maneira que ela diminui conforme o vento e movimentos bruscos estão ótimos. Gostei mesmo. A moto também está muito boa, pena que é utilizada poucas vezes em cena, poderiam explora-lá melhor. A ideia de incendiar tudo o que ele pilota também rende uma ótima sequência de ação com maquinário gigante, de fazer os Transformers de Michael Bay parecerem, realmente, bonecos da Hasbro para crianças. A ação habitualmente "quente" da dupla, que filma sempre rente ao chão e consegue transmitir bem uma sensação de velocidade, encaixa-se como esperado nas perseguições esfumaçadas do Motoqueiro. A caracterização psicológia também está mais parecida com o personagem das histórias em quadrinhos, ele faz mais piadas sarcásticas e de humor negro.


Infelizmente, isso não bastou para salvar o filme. A escolha do elenco foi mal realizada. Nenhum ator me agradou. Nenhum. Os vilões não convencem em nada, chegam a ser ridículos. Fergus Riordan faz uma atuação péssima que eu não via a tempos, entendo que ele é uma criança, mas temos exemplos recentes de ótimas atuações infantis como em Super 8 ou em Não Tenha Medo do Escuro. Violante Placido faz a única personagem feminina do longa e mesmo assim não consegue se destacar, em determinados momentos é até irritante. E Nicolas Cage continua sendo Nicolas Cage. A trama também não é muito bem desenvolvida, tem erros de construções e segmentos, gostei apenas da forma que os flashbacks são mostrados,  em animações e narrados, mas são poucos ao longo do filme. Assisti a versão 3D (não gosto, mas dessa vez não tive escolha) e posso garantir que não valhe a pena! O filme não foi filmado em 3D, foi apenas convertido, e de uma maneira muito fraca.

É realmente uma pena terem um feito um filme tão ruim com um personagem tão bom quanto o Motoqueiro Fantasma. Tinha esperança que nessa sequência tudo melhoraria, mas não foi tudo, aliás, foi quase nada. Vale a pena somente algumas sequências de ação e a caracterização do visual e da forma como o Motoqueiro utiliza seus poderes. Se existe um Espírito da Vingança real, espero que ele se vingue das pessoas responsáveis por enterrar uma ótima franquia.


5 PIPOCAS!




Ghost Rider: Spirit of Vengeance – EUA, 2012 – 95 min.

Direção: Mark Neveldine e Brian Taylor

Roteiro: Scott M. Gimple, Seth Hoffman, David S. Goyer

Elenco: Nicolas Cage, Idris Elba, Violante Placido, Ciarán Hinds, Johnny Whitworth, Fergus Riordan, Christopher Lambert



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