quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres


As adaptações de livros, histórias em quadrinhos e remakes estão cada vez mais presentes no cinema atual. Infelizmente, o roteiro original na sétima arte é raro. Mas isso não significa que adaptações são sinônimos de filme ruim, a prova disso é Os Homens que Não Amavam as Mulheres.

A obra literária original é composta por três livros de Stieg Larsson: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. O filme é baseado apenas no primeiro. Já a versão cinematográfica original foi lançada em 2009, uma produção suéca. Eu não tive a oportunidade de ler nenhum livro e nem de assistir a versão suéca do longa, por isso, faço a análise do filme sem comparar as mídias.


A trama é um enigma a portas fechadas, passa-se na vizinhança de Hedestad, Suécia. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, Henrik Vanger (Christopher Plummer), o velho patriarca do clã, está convencido de que ela foi assassinada. E que alguém da família a matou. Por isso ele resolve contratar Mikael Bomkvist (Daniel Craig), um jornalista investigativo que trabalha na revista Millennium. Mikael não está em um bom momento, pois enfrenta um processo por calúnia e difamação. Ele aceita o trabalho, recebendo a ajuda de Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma investigadora particular incontrolável e anti social.

David Fincher mantém a qualidade das suas obras anteriores, lembrando que ele dirigiu: Alien 3 (1992); Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995); Vidas em Jogo (1997); Clube da Luta (1999); O Quarto do Pânico (2002); Zodíaco (2007); O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) e o mais recente  A Rede Social (2010). O filme é intrigante e envolvente do começo ao fim. A fotografia, a trilha e principalmente os atores são ótimos. Daniel Craig não está muito diferente dos seus papéis anteriores, mas se encaixa perfeitamente como o repórter investigativo Mikael. Já Rooney sem dúvida merece todos os elogios, é de longe a melhor atuação do longa. Algumas cenas são tão convicentes que nos causam um incômodo ao assisti-las. A fotografia de Jeff Cronenweth é fenomenal, ajuda a criar a atmosfera perfeita, o clima de suspense com o drama vivido pelas personagens principais se complementam muito bem. A trilha também segue essa linha.


Um projeto como Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres é sempre muito questionado, afinal trata-se de uma refilmagem. David Fincher aceitou fazer o primeiro remake de sua carreira, apenas para corrigir as más escolhas do outro filme? Seria uma forma de sinalizar à indústria que ele pode realizar filmes de encomenda com a mesma dedicação de seus projetos pessoais? Ou há no material elementos que sempre interessaram ao cineasta? Embora Fincher não goste que apontem repetições de temas entre seus filmes, essa última opção parece digna de discussão. Por isso, surge a seguinte dúvida: deveria ter sido feito? E a resposta é uma só: sim.


9,5 PIPOCAS!

 
 
The Girl with the Dragon Tattoo – EUA, 2011 – 158 min.

Direção: David Fincher

Roteiro: Steven Zaillian, Stieg Larsson

Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Robin Wright, Steven Berkoff, Joely Richardson
 


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