quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Garota Fantástica


Da nova geração de atores, Ellen Page é a minha preferida. Desde o dia que a vi pela primeira vez no ótimo Juno, me encantei. Depois, procurei acompanhar a sua carreira, tentando assistir todos os filmes em que participa. Seu primeiro longa que ficou mais conhecido foi Menina má.com (2005); depois X-Men 3 – O confronto final (2006); Um crime americano (2007); Juno (2007); Garota Fantástica (2009) e o mais recente A origem (2010). De todos, não assisti apenas Um crime americano, e hoje comento Garota Fantástica.
 
O filme conta a história de Bliss Cavendar (Ellen Page), uma garota rebelde e fã de rock independente que mora numa cidadezinha do Texas. A mãe de Bliss espera que ela participe de um concurso de beleza, mas contra o que se espera, ela entra para uma equipe de roller derby – modalidade esportiva predominantemente feminina, com equipes disputando corrida de patinação em pistas ovais – ela se inscreve em um torneio onde conhece outros jovens como ela. Agora, Bliss está prestes a entrar numa nova aventura da sua vida e durante isso ainda poderá descobrir o amor.

Bliss é paradoxo, não porque quer e sim por imposição de sua mãe. Obrigada a participar de concursos de beleza juvenil, logo na primeira cena vimos que ela não pertence a esse universo, não é uma garota certinha que sonha encontrar o príncipe encantado e viver feliz para sempre. É uma garota diferente, despreocupada, de certa maneira lembrando um pouco as atitudes de Juno. E essa é a grande discussão do filme, a influência e controle que sua mãe tem sobre a sua vida.


A mãe de Bliss é uma típica dona de casa americana, satisfeita com o seu trabalho e família, deposita frustações do passado em sua filha, "forçando-a" viver algo que realmente não gosta. Apenas sua filha mais nova (talvez por ainda ser uma criança) gosta e até ganha os concursos de beleza em que participa. Mas fica claro o quanto a mãe de Bliss gostaria de estar no lugar dela. Porém, algo inesperado acontece e Bliss muda essa situação.

É quando Bliss começa praticar roller derby, jogo pouco conhecido por aqui, que sua vida muda. Ela se "liberta" dos ideais de vida impostos por sua mãe e começa realmente a viver, se torna a dona de seu próprio destino. É visível a mudança de comportamento, tanto no modo como ela se veste, como em suas atitudes e alto-estima. Faz novos amigos e até encontra um novo amor. O filme trata bem essa mudança e discute os conflitos que essa liberdade tráz. Porém, de uma maneira simples e de certa forma, clichê. Talvez pelo estilo da diretora Drew Barrymore e o público-alvo do filme, mas acredito que esses conflitos poderiam ter sido tratados de uma maneira diferente, mais adulta. O romance também foi mal resolvido, durante o longa, oscila entre altos e baixos, não consegui identificar se o garoto em questão é o grande amor da vida de Bliss, ou se é apenas um caso de verão. Mas, o que realmente funciona são os alívios cômicos que acontecem durante a história e as partidas de roller derby, dá até vontade de assistir uma partida pessoalmente.


Ellen Page continua sendo a minha atriz da nova geração preferida, mescla com maestria humor e drama, sem exagerar nos esteriótipos. Espero poder vê-la como protagonista em produções maiores, principalmente com um elenco secundário melhor, afinal vimos do que ela é capaz com sua atuação em Juno, que tinha um bom núcleo secundário. Infelizmente em Garota Fantástica, apenas a garota é fantástica, pois o filme fica devendo.


6 PIPOCAS!

 
 
Ficha técnica:

Whip it – EUA, 2009 – 111 min.

Direção: Drew Barrymore

Roteiro: Shauna Cross

Elenco: Ellen Page, Marcia Gay Harden, Kristen Wiig, Drew Barrymore, Juliette Lewis, Jimmy Fallon, Alia Shawkat, Eve
 


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