sábado, 12 de novembro de 2011

Gigantes de Aço


O esporte sempre foi um tema recorrente entre filmes: Um Domingo Qualquer (1999), Carruagens de Fogo (1981), Duelo de Titãs (2000), Invictus (2009), Seabiscuit – Alma de Herói (2003), Jamaica Abaixo de Zero (1993), entre outros. Porém, o boxe com certeza é o esporte com melhores adaptações: todos os filmes do Rocky Balboa (1976-2006), Menina de Ouro (2004 – meu preferido), Ali (2001), Touro Indomável (1980), O Vencedor (2010) e dessa vez Gigantes de Aço.

A história se passa em 2020, quando o boxe humano foi proibido e robôs humanóides pesos-pesado assumem o espetáculo. Neste contexto estão Charlie Kenton (Hugh Jackman) e seu filho Max (Dakota Goyo), que treinam um robô sparring, chamado Atom, para ser um campeão.

Se eu fosse resumir o filme em uma única palavra, eu escolheria surpreendente. O filme é sim surpreendente. A princípio, você pode achar que ele seria repleto de clichês e tão previsível que se tornaria chato, mas isso não acontece. Os clichês estão lá, mas não atrapalham em nenhum momento o andar da trama. Pelo contrário, nos faz pensar que clichês em momentos certos ajudam a enriquecer o drama necessário.  Ou alguém discorda de todo o sentimentalismo presente nas cenas de Charlie com seu filho, ou dele com a sua parceira Bailey Tallet (Evangeline Lilly)? Ou até mesmo da amizade de Max com seu robô Atom?


Aqui, o centro da história não são as lutas. Achei até que foram poucas, foram 4 durante o longa todo. E todas merecem ser elogiadas, sem excessão. Tecnicamente são perfeitas. É incrível como parecem ser reais, elas possuem uma fluidez impressionante, frutos de coreografia, captação de movimentos e muitos pixels.  Os robôs são majestosos e imponentes, ao mesmo tempo "divertidos" e "humanos". Confesso que torci pelo robô principal como se a luta estivesse realmente acontecendo, aliás, o Atom sem dúvida é o mais humano de todos. Em certos momentos parece possuir alma. Na cena onde ele olha no espelho no vestiário, por exemplo.

Mas o centro da história é a relação de Charlie e Max. Jackman interpreta um pai ausente que tem de conviver com seu filho de 11 anos que acabou de perder a mãe. Ela era uma antiga namorada, da época em que ele era um famoso boxeador. A chegada do menino deveria fazer com que Charlie entrasse na linha e inclusive largasse o boxe de robôs para se entender com Max. Porém o garoto é um entusiasta das lutas entre robôs e sabe tanto ou mais que seu pai. Ele conhece a história, os grandes projetistas e é fã incondicional do número 1 do mundo, o invicto Zeus, projetado pelo japonês Tak Mashido (Karl Yune) e empresariado por Farra Lemcova (Olga Fonda), que praticamente é dona do campeonato mundial.


Hugh Jackman faz muito bem o papel do pai canalha, mas carinhoso, que vai aprendendo o lado bom de ser pai. A cumplicidade que vai se formando entre os dois mostra como eles estavam bem entrosados durante as filmagens. O roteiro faz o resto, mostrando que mesmo sem jamais ter convivido com o pai, Max carrega o seu DNA, que envolve auto-confiança, paixão pelo boxe e dedicação ao que ama. E vale destacar que Dakota faz uma excelente interpretação, não conheço outros trabalhos desse garoto, mas desde já virei seu fã. Muito bom mesmo. A emoção que ele nos passa na última luta do filme é impressionante. Espero que ele continue atuando dessa maneira em todos os trabalhos da sua futura carreira. 

Algumas pessoas podem dizer que Gigantes de Aço não passa de uma cópia atualizada de Rocky – Um Lutador, mas o que quase ninguém sabe, é que esse filme foi baseado em um conto chamado "Steel" de Richard Matheson escrito em 1956. Acho que muito tempo antes de Rocky e Falcão. Depois dos badalados Capitão América, Thor, Piratas do Caribe e Harry Potter, Gigantes de Aço é sem sombra de dúvida um dos melhores blockbusters do ano. Mostra ser um filme realmente envolvente, emocionante e tecnicamente impecável.  Entra para a história dos filmes sobre boxe. E qual é o problema de considerá-lo o Rocky Balboa do século XXI?


9,5 PIPOCAS!


Ficha técnica:

Real Steeal – EUA, 2011 – 127 min.

Direção: Shawn Levy

Roteiro: John Gatins, Michael Caton-Jones, Sheldon Turner

Elenco: Hugh Jackman, Dakota Goyo, Evangeline Lilly, Anthony Mackie, Kevin Durand, Olga Fonda, Karl Yune




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