terça-feira, 29 de novembro de 2011

Contágio


Quanto tempo dura um apocalipse? No cinema, estamos acostumados a presenciar apenas o apocalipse "estabelecido", nunca acompanhamos o processo do caos. Em Contágio, acompanhamos não apenas como o apocalipse se aproxima e se estabelece, mas também a reação do cidadão comum e das principais instâncias de poder do mundo diante do fim iminente. Tudo de uma forma dramática e realista.

A trama segue o rápido progresso de um vírus letal, que mata em poucos dias. Infectados passam a exibir sintomas misteriosos: tosse seca e febre, seguida de convulções, hemorragia cerebral e, por fim, morte. Como a epidemia se espalha rapidamente, a comunidade médica mundial inicia uma corrida para encontrar a cura e controlar o pânico que se espalha mais rápido do que o próprio vírus. Ao mesmo tempo, pessoas comuns lutam para sobreviver em uma sociedade que está desmoronando. Em Minneapolis, Chicago, Londres, Paris, Tóquio e Hong Kong os números rapidamente se multiplicam: um caso vira quatro, depois dezesseis, centenas, milhares enquanto o contágio varre todas as fronteiras, alimentado pelas inúmeras interações feitas pelos seres humanos no curso da vida diária. Explode uma pandemia mundial. Nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos Estados Unidos, os pesquisadores tentam decifrar o código biológico único do patógeno, enquanto ele continua a se modificar. 

Para representar a sociedade como um todo, são utilizados basicamente três esferas: o cidadão comum, representado pelos pais de família (Matt Damon, John Hawkes); as instituições públicas, concentradas nos médicos e epidemiologistas (Laurence Fishburne, Kate Winslet, Elliot Gould, Marion Cotillard); e, para fazer a ponte entre esses dois extremos, temos a mídia, na figura de um blogueiro e repórter investigativo (Jude Law).


Todas as atuações estão ótimas, porém, merecem destaque Kate Winslet (que está muito melhor do que em O leitor), Laurence Fishburne, que me surpreendeu e Matt Damon e sua filha, que são o ponto alto do longa (talvez pela aproximação de seus personagens com nós). Mas na trama, os atores não são os protagonistas do filme. Estamos acostumados a ter um arco principal e histórias coadjuvantes que auxiliam no desenvolvimento da trama principal. Em Contágio isso acontece, mas não da forma esperada. Temos um elenco colossal, coadjuvante de um protagonista que não é visto em nenhum momento, o vírus. Portanto, é preciso entender que o protagonista desta fita é o vírus.

A principal força de Contágio não está, porém, no roteiro, e sim na encenação. Soderbergh filma com enquadramentos "duros", de movimentos econômicos, e com a câmera à meia distância dos atores – um jeito aparentemente desapaixonado de encarar um tema tão dramático, mas esse estilo ajuda a dar ao filme um tom mais clínico. O distanciamento é uma boa forma, também, de valorizar os close-ups quando eles acontecem. Há dois tipos de close-ups que fazem a diferença. O primeiro são os planos-detalhes em maçanetas e em mãos que pousam sobre comidas e objetos. É essa opção de estilo que torna o filme tão eficiente como peça de alarmismo. E há os close-ups propriamente ditos, nos rostos de personagens atônitos com o que está acontecendo ao seu redor. São close-ups sem cortes rápidos, a duração um pouco mais longa dos planos permite ver mudanças de expressão, permite ver o pavor e o choque. A trilha também é algo que faz realmente diferença. Durante o longa todo acopanhamos os fatos com batidas eletrônicas eletrizantes, lembrando muito os franceses do Daft Punk.



Enfim, Contágio é um dos melhores filmes que tratam do tema em questão. Sem zumbis ou qualquer outro tipo de humano geneticamente modificado por acidente.  Como o início de um apocalipse se reflete na vida das pessoas. Realista e alarmante. Exatamente como devia ser.



8 PIPOCAS!



Ficha técnica:

Contagion – EUA , 2011 - 106 min.

Direção: Steven Soderbergh

Roteiro: Scott Z. Burns

Elenco: Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Marion Cotillard, Laurence Fishburne, Gwyneth Paltrow, John Hawkes, Demetri Martin, Bryan Cranston, Elliott Gould
 



Um comentário:

Rafael >=/ disse...

Eu achei esse filme ruim... Eles tiveram que colocar um cara qualquer para ter um tipo de vilão. As atuações foram boas, mas o filme poderia ter sido diferente...