quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Não Tenha Medo do Escuro


Quando vi materiais de divulgação e o trailer de Não Tenha Medo do Escuro, criei uma expectativa enorme. Há muito tempo não sentia vontade de assistir um filme de terror como senti desta vez. Afinal, o filme vai de contra mão aos recentes longas de terror, que se apoiam simplesmente no chamado gore (sangue, gritos, baixo orçamento, violência gráfica). A expectativa foi criada e até certo ponto, correspondida.

A trama acompanha Sally (Bailee Madison) uma garotinha abandonada pela mãe que é enviada para morar em Rhode Island com o seu pai (Guy Pearce) e a nova namorada dele Kim (Katie Holmes). Lá, a menina descobre sinistras criaturas morando no casarão do século 19 que o pai está restaurando para vender. O filme é um remake de uma produção para TV exibida em 1973. Quem cuidou da direção foi o quadrinista Troy Nixey, estreando no cinema sob a supervisão do produtor Guillermo del Toro.

Realmente o longa é diferente dos atuais filmes de terror. Não são explorados sustos fáceis e previsíveis, e sim valores clássicos do gênero. Sussuros na noite, silhuetas nas sombras e medo gerado através da ambientação. O que faz toda a diferença é a fotografia escura e a trilha,  são usadas com maestria.


A pequena atriz Bailee Madison está excelente. É de longe a melhor atuação do filme. Sempre com um olhar triste e apreensivo, nos trasmitindo tensão do começo ao fim. Você se coloca no lugar dela em vários momentos do longa. Acredito até que  se não fosse por ela, a história não teria o mesmo impacto.

Mas o ponto alto do filme, sem dúvida, é a mitologia criada para a raça que habita o casarão. A maneira como ela é desvendada aos poucos,  dá vontade de saber mais sobre elas e adentrar seus domínios nas profundezas. A forma que elas se movem na escuridão, seus olhos brilhantes, os sussuros,  tudo é mostrado de uma forma misteriosa e sagaz.


Porém, ainda que tenha ótima ambientação e momentos de excelente suspense, o filme gasta cedo demais seu maior trunfo, a expectativa pelas criaturas. Os diminutos seres malignos, afinal, não são tão assustadores assim, o que esvazia bastante seu potencial para o medo do meio para o fim da história. Esperava algo mais criativo e menos explícito. Se seguissem o mesmo conceito do ínicio do filme até o final, certamente teria resultado em um terror que nos faria sentir medo real do escuro.



7,5 PIPOCAS!




Ficha técnica:

Don't Be Afraid of the Dark – EUA, México , 2011 – 99 min.

Direção: Troy Nixey

Roteiro: Guillermo del Toro, Matthew Robbins

Elenco: Katie Holmes, Guy Pearce, Bailee Madison, Garry McDonald, Jack Thompson, Julia Blake, James Mackay