sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Planeta dos Macacos: A Origem


Antes de começar a minha crítica, tenho que deixar claro que nunca assisti nenhum dos três filmes originais da saga Planeta dos Macacos. O único que assisti foi o remake de 2001, que não me agradou. Logo, faço a minha avaliação "livre" de qualquer influência e referências dos filmes originais. E não sei se isso é bom ou ruim.

Em Planeta dos Macacos: A Origem, James Franco vive um cientista que trabalha em São Francisco, com engenharia genética para o tratamento de doenças. Cesar (movimentos de Andy Serkis) é o nome do primeiro supermacaco, resultado de experiências para combater o Mal de Alzheimer, dotado de inteligência superior. Ao ser traído pelos humanos que tentava emular, Cesar começa uma campanha violenta para reinvindicar os direitos símios entre os homens.

O ponto forte do filme sem dúvida são os efeitos especiais. Não há nenhum animal real e nem bonecos, todos os macacos são feitos por computação gráfica. Chegam em certos momentos a fazer o espectador se perguntar se aquilo é mesmo uma criação digital ou um animal de verdade. A empresa responsável por todas essas criações é a Weta Digital, mas não tem como admitir que é Andy Serkis (ator que ficou famoso ao viver Gollum, de O Senhor dos Anéis) e que se especializou na técnica da captura de performance, que rouba a cena. Consegue demonstrar com um equilíbrio perfeito a selvageria e humanidade de seu personagem. Posso dizer também que Cesar é o personagem principal do longa. Ele tem mais tempo de tela do que qualquer outro humano. A imprensa geral já comenta que Andy merece ser indicado ao Oscar por sua atuação, não acredito que a academia irá indicá-lo, mas com certeza ele mereceria.



Ao contrário do macaco realista, os humanos do filme parecem artificiais. James Franco não compromete, mas também não se destaca. Sua parceira Freida Pinto e os "vilões" Brian Cox e Tom Felton não passam de coadjuvantes em todos os sentidos. Sorte que o roteiro dá pouca importância para eles e do meio em diante a macacada segura o filme até o fim. O único personagem que se destaca é o pai de James (John Lithgow), todas as melhores cenas fora do núcleo símio é ele quem protagoniza. É a doença dele, afinal, que motiva seu filho a realizar experiências genéticas em macacos. É triste ver uma pessoa sofrendo por uma doença sem cura.

Mas nem tudo é elogios. O que falta ao roteiro é um pouco mais de coerência em determinados momentos. Há diversas situações que são "forçadas" para que o roteiro siga adiante. Situações simples que não precisavam ser mostradas da maneira que foram. Não consigo entender como um roteiro assim é aprovado. E muito menos como um diretor aceita filma-lo. Eu, que nunca estudei cinema, conduzaria melhor algumas cenas.

A melhor sequência do filme é a batalha final na ponte Golden Gate. Na organização de seu exército e nas táticas de Cesar, encontra-se a estratégia romana de guerra. Há lanceiros, formações defensivas e um flanqueamento por três pontos digno de elogios. Em determinados momentos, essa batalha nos dá uma sensação mesclada de fascínio e puro terror. Sem contar na expressão grotesca do macaco Korga.


Planeta dos Macacos: A Origem não vai revolucionar a história do cinema, como fez o primeiro filme da saga, mas vai com certeza ser lembrado no futuro. É uma produção bem feita, com ótimas cenas de ação, ótimos efeitos visuais e ao mesmo tempo divertida. Peca um pouco no desenvolver do roteiro, mas não o suficiente para estragá-lo. Dizem que o cinema criativo morreu, que não existe mais nada sem ser sequências, remakes, animações ou adaptações. Porém, se o cinema não-criativo for como esse Planeta dos Macacos, então me sinto mais aliviado.




7, 5 PIPOCAS!




Ficha técnica:

Rise of the Planet of the Apes
– EUA, 2011 – 105 min.

Direção:
Rupert Wyatt

Roteiro:
Rick Jaffa, Amanda Silver

Elenco:
Andy Serkis, James Franco, Freida Pinto, Brian Cox, Tom Felton, David Oyelowo, Tyler Labine, Jamie Harris, David Hewlett, Ty Olsson

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