segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Apollo 18


Desde A Bruxa de Blair (1999) foram lançados diversos filmes do conhecido sub-gênero "longa metragem criado a partir de material encontrado". Nem sei ao certo quantos são, mas sei que poucos me agradaram, talvez os mais recentes REC (2007) e Cloverfield – Monstro (2008) foram os melhores que assisti. Porém, até então, ninguém pensou em levar esse sub-gênero ao espaço, em Apollo 18 isso acontece. Mas não da forma que eu esperava.

A trama explora as teorias da conspiração sobre a missão espacial Apollo 18, cancelada na década de 1970 pela NASA. A história revelará que a missão existiu, e depois dela nem EUA nem União Soviética ousaram pisar na Lua de novo. A tripulação tem apenas três astronautas e quatro dias de missão. Mas ao chegarem ao destino, os dois ocupantes do módulo lunar e o piloto em órbita começam a experimentar estranhos eventos, que não tardam a passar de estática nos canais de comunicação a ocorrências cada vez mais sinistras.


Apollo 18 segue a linha estabelecida desse tipo de filme. No ínicio apresentam-se brevemente os personagens, no caso, os três únicos. Eles trocam algumas histórias divertidas para fazer com que o público se identifiquem com eles. A seguir, o filme começa a jogar com as câmeras e com a percepção do espectador com edição e fotografia retrô. O que faz ele sair do clichê estabelecido é que contém algumas cenas com efeitos visuais, não são os melhores e mais originais, mas dão uma melhoria no contexto geral da história.

Infelizmente, porém, Apollo 18 falha no que poderia ser o seu maior trunfo, a nossa inserção no meio lunar, com toda a sua claustrofobia e solidão. É claro que o filme ainda transmite essas sensações, porém, não com a intensidade esperada. Em determinados momentos o longa chega a ser repetitivo e maçante, com cenas de silêncio absoluto, como introdução para "sustos" na plateia. A mania das péssimas cenas noturnas, em que eventos acontecem enquanto os protagonistas dormem, continua a tendência nesse tipo de suspense. E algumas coisas no roteiro foram difíceis de engolir, como por exemplo o sistema do módulo lunar russo ser o mesmo que o americano.

Espero que Hollywood volte a pensar grande e pare de usar a velha desculpa para aliar a falta de orçamento a um suposto realismo que simula uma história baseada em fatos – supostamente mais atrativa em termos de mercado. Filmes amadores que simulam realismo foram legais em 1999, hoje não passam de desculpas para gastar pouco e ganhar muito.


4 PIPOCAS!



Ficha técnica:

Apollo 18 – EUA, 2011 – 88 min.

Direção: Gonzalo López-Gallego

Roteiro: Brian Miller, Cory Goodman

Elenco: Warren Christie, Lloyd Owen



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