segunda-feira, 18 de julho de 2011

Transformers 3 – O Lado Oculto da Lua


Eu entendo que existem dois "tipos" de filmes, aqueles que "mudam a sua vida" e aqueles que só existem para entreter, divertir e vender produtos licenciados. Fica claro de qual tipo Transformers faz parte, e talvez Michael Bay seja a melhor pessoa para dirigi-lo. Ou não. Michael foi o responsável pela direção de Os Bad Boys I e II, A Rocha, Armageddon, Pearl Harbor, A Ilha e os outros dois Transformers, só filmes de ação. E ação é no que se resume o filme, ação por si só.

Dessa vez, um misterioso evento do passado da Terra, irrompe nos dias de hoje e surge um inimigo que ameaça mergulhar o nosso planeta em uma guerra tão intensa que nem mesmo os Autobots sozinhos podem nos salvar. Após o fiasco (não em bilheterias) do segundo filme, parece que Bay "aprendeu" que não se deve apenas se preocupar com sequências e mais sequências de cenas de ação e besteirol. Há uma interessante relação com elementos do filme e fatos históricos, o roteiro tenta amarrar o destino de Cybertron – o planetea devastado pela guerra civil entre Autobots e Decepticons – e a corrida espacial travada entre os EUA e a URSS nas décadas de 1950 e 60. Pena que todos esses elementos que dão uma renovada na série, desaparecem lá pelo meio do filme.


Outra falha é o péssimo desenvolvimento do personagem Sam Witwicky (Shia LaBeouf), que de uma hora para outra, esquece o seu grande amor (a personagem vivida por Megan Fox nos longas anteriores) e se vê extremamente apaixonado pela sua namorada (Rosie Huntington-Whiteley). Fora que Sam é um sujeito formado em faculdade da Ivy League (grupo que reúne as oito melhores dos EUA), capaz de conquistar mulheres lindas, herói condecorado e o humano escolhido como espécie de ligação para contato com os alienígenas, continua sendo o mesmo perdedor do primeiro filme. Desempregado, sustentado pela namorada e abandonado pelos aliens, ele vai trabalhar como contínuo em uma empresa de tecnologia. Inacreditável. E é nessa mesma empresa, onde ele conhece o personagem vivido por Ken Jeong (o Mr. Chou de Se Beber, Não Case!), um entre as dezenas de personagens secundários, totalmente equivocados e desnecessários. Não há um que mereça um comentário positivo. Michael Bay continua encarando os elementos que definem uma boa história como mera cola para as cenas de ação que ele quer mostrar. Um ponto positivo é que o humor é usado de uma maneira controlada, leve, e não tão debochada quanto no segundo filme, e isso é bom, torna a mescla de ação/humor bem feita.


Mas vendo o filme de uma maneira comercial, pode ter certeza que o espetáculo está garantido. A batalha que acontece em Chicago é linda. Impossível de se analisar todos os detalhes de tão complexo que são as cenas. A sequência final tem 40 minutos de tiros, explosões, atos de bravuras, destruição, frases de impacto e muita câmera lenta. Os efeitos visuais produzidos pela Industrial Light and Magic estão perfeitos, com todas as milhares partes móveis em cada um dos robôs, interagindo com o ambiente e com os humanos em sua volta. Visualmente Transformers 3 – O Lado Oculto da Lua é um filme impressionante, nos dá a impressão de ser o filme mais caro já feito, tamanha a sua qualidade, pena que só visualmente. Não sei se Michael Bay é um gênio incompreendido ou um arauto da ignorância hollywoodiana.



5 PIPOCAS!



Ficha técnica

Transformers – Dark of the Moon – EUA, 2011 – 157 min.

Direção: Michael Bay
 
Roteiro: Ehren Kruger
 
Elenco: Shia LaBeouf, John Turturro, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rosie Huntington-Whiteley, Patrick Dempsey, Kevin Dunn, John Malkovich, Frances McDormand, Ken Jeong, Leonard Nimoy, Peter Cullen
 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Carros 2

Na minha crítica sobre Rio, eu comecei o texto dizendo que adoro animações e não lembrava mais quantas vezes fui ao cinema com os meus pais para assisti-las. Porém uma situação eu lembro claramente, o dia que assisti Toy Story (1995). Me lembro em qual shopping fomos, em qual dia, em qual horário e lembro da emoção que eu senti vendo o primeiro longa feito totalmente em modelagem 3D. Me apaixonei. Na época, era o ápice da tecnologia e inovação, hoje, temos pelo menos cinco lançamentos por ano. Mas mesmo com tantas novidades, foram poucas que me encantaram, Carros (2006) foi uma delas. Então, quando surgiu o anuncio de uma continuação, fiquei empolgado e contente, esperando algo melhor do que o primeiro filme, mas não foi dessa vez. Carros 2 é bom, mas não o bastante.

A trama começa com Finn McMíssil, um carro-agente-secreto inglês que viaja até o meio do oceano e descobre plataformas de petróleo no lugar onde um antigo colega de equipe foi visto pela última vez. Lá, conhecemos também o Professor Z, um típico vilão alemão dos filmes da época da Guerra Fria. Em Radiator Springs, Relâmpago McQueen retorna à cidade depois de ter vencido seu quarto título da Copa Pistão. Mas suas férias não duram muito tempo, ele é convidado para participar do World Grand Prix, o circuito de corridas ao redor do mundo, que vai colocar os melhores veículos para correr em diversos terrenos, provando quem é mesmo o mais rápido do mundo. O torneio foi idealizado por Sir Miles Eixoderoda, um milionário do petróleo que descobre uma nova fonte de biocombustível, que abastece os tanques de todos os competidores.

Os primeiros minutos do filme deixam claro o tom de espionagem que vai permear durante o filme todo. A primeira sequência de ação é empolgante, não deixa a desejar a nenhuma feita em qualquer filme da série 007! Fica explícito de qual fonte a Disney/Pixar bebeu. Aliás, o filme em um todo chega ser um pouco violento, há tiros, explosões e (pasmem) mortes! Claro, que tudo isso adaptado para mitologia de Carros.

Acredito que o longa pecou ao focar a história em Tom Mate, o guincho caipira melhor amigo de McQueen. Como personagem secundário no primeiro filme, ele funciona, mas como principal, nem um pouco. Toda a trama se desenrola com Mate, é ele quem vai acabar se tornando um agente secreto por engano, que é parte fundamental da história. McQueen é deslocado para segundo lugar na importância do filme. As corridas são uma desculpa para criar novos personagens, inclusive, temos uma personagem brasileira, chamada Carla Veloso, dublada pela cantora Cláudia Leite, mas não se empolguem muito, pois Carla só tem uma fala durante o filme todo. Um personagem novo que tem bastante destaque é o italiano carro de Fórmula 1 Francesco Bernoulli, com sua arrogância e prepotência é de longe o melhor personagem dos novos.

Carros 2 se preocupa bastante com a ação e a aventura, desenvolve apenas seus personagens conhecidos e não tem uma grande "lição de moral" que nos faz sair do cinema refletindo, mas ainda sim é um filme bom! Li algumas críticas, a maioria dizendo mal, inclusive que esse era o único longa da Disney/Pixar que não merecia uma sequência, sou contra essas opiniões, o universo criado em Carros é extremamente criativo e original, não temos animais que falam ou pinguins que cantam e dançam, são carros! Gosto bastante da série e espero que façam uma nova sequência, quem sabe não nos surpreendam e seja tão boa quanto Toy Story 3? E um dia eu me recorde da emoção que senti assistindo Carros 3.


8,5 PIPOCAS!


Ficha técnica

Cars 2 – EUA, 2011 – 113 min.

Direção: Brad Lewis

Roteiro: Ben Queen

Elenco: Owen Wilson, Michael Caine, Emily Mortimer, Jason Issacs, Thomas Kretschmann