terça-feira, 21 de junho de 2011

Kung Fu Panda 2

Vimos no primeiro filme da série que o panda Po (originalmente dublado pelo ator Jack Black), consegue se tornar o grande Dragão Guerreiro das lendas que ele ouvia desde pequeno. Já em Kung Fu Panda 2, continuamos acompanhá-lo com seus golpes desajeitados e a sua fome contínua, mas dessa vez, Po está mais maduro e forte. E o filme também.

O longa começa mostrando a história do príncipe pavão Lorde Shen (Gary Oldman), que ao ouvir a profecia que um dia seria derrotado por um ser preto e branco, manda matar todos os pandas. Seus pais, desapontados pelo ato impensado, o banem do reino. Ele então jura voltar e se vingar, dominando o país. Utilizando-se da descoberta da pólvora, ele cria uma arma de fogo, que coloca em risco toda a China e o kung fu. Cabe então aos Cinco Furiosos – Louva-a-Deus (Seth Rogen), Macaco (Jack Chan), Tigresa (Angelina Jolie), Víbora (Lucy Liu), Garça (David Cross) e o seu líder Po – derrotarem essa ameaça.

O que mais difere essa sequência do primeiro filme, é que agora há diversas cenas feitas em um estilo de animação diferente de todo o resto, uma segunda técnica "desenhada a mão", mais próxima do 2D tradicional. Todas as lembranças que acontecem durante a história, são feitas assim. E digo que não me importaria nenhum um pouco em assistir o filme toda dessa maneira, pois a animação ficou linda demais.


Aliás, esteticamente, o filme todo é lindo. Todos os cenários das planícies chinesas que já eram bons no primeiro filme, ficaram mais belos ainda. A quantidade de detalhes e cores é impressionante. A água (muito importante no terceiro ato), está extremamente realista, e o traço dos animais estão mais sofisticados. É incrível como a tecnologia evoluiu em três anos.

As lutas também ficaram mais belas. Imagino como deve ter sido trabalhoso desenvolvê-las, pois há muitos movimentos e todos rápidos. Muitos detalhes o olho não consegue captar. Ficaram ótimas. Senti falta de uma grande batalha, principalmente com os personagens novos, mas as lutas que acontecem, não deixam a desejar. Gostei muito do estilo do Lord Shen, que usa suas penas como arma, em uma linda coreografia.

A história se desenrola de uma maneira menos brilhante do que o visual, mas não menos perfeita. Com um roteiro maduro, o filme empolga do começo ao fim. Ele equilibra muito bem as cenas de ação, com as cenas de humor físico e também verbal (que só não ficaram melhores por causa da dublagem cheia de gírias). E não é só lutas e cenas engraçadas, o arco principal é dramático, onde descobrimos a origem de Po e a luta dele para encontrar a paz interior, como lhe ensina o Mestre Shifu (Dustin Hoffman). Claro que há algumas cenas desnecessárias, mas não chegam a afetar a história como um todo. Algumas pessoas me disseram que o 3D desse filme está realmente muito bom, dizem que se você estiver afim de gastar uma grana com 3D, esse é o filme certo. Eu sou muito chato, e sempre prefiro assistir em 2D, mas como foi mais de um comentário, acredito que esse valha a pena.

Kung Fu Panda é um dos meus filmes favoritos, e depois dessa sequência, fica sendo ainda mais. Só o que me deixa apreensivo, é que no final do filme fica claro que um próximo longa será feito (ainda mais com a quantidade de dinheiro que ele está arrecadando). Pode ser um risco, uma ótima franquia pode se tornar um novo Shrek. Gostaria que os executivos de Hollywood levassem a sério o ditado popular: "Um é pouco, dois é bom e três é demais".



9 PIPOCAS!


Ficha técnica

Kung Fu Panda 2 – EUA, 2011 – 91 min.

Direção: Jennifer Yuh

Roteiro: Jonathan Aibel, Glenn Berger

Elenco: Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Lucy Liu, David Cross, Jackie Chan, Seth Rogen, Gary Oldman, James Hong, Michelle Yeoh, Danny McBride, Jean-Claude Van Damme



quarta-feira, 8 de junho de 2011

Se Beber, Não Case! – Parte II

Após refletir um pouco, chego a conclusão que Se Beber, Não Case! (The Hangover, 2009) é a minha comédia preferida. Claro que eu assisti poucos títulos deste gênero, mas mesmo assim essa foi a melhor. Explico os motivos: piadas criativas, bom texto e roteiro, trilha legal, personagens bem desenvolvidos com ótimas atuações, e o mais importante, foi um filme imprevisível. Porém, não é o caso de Se Beber, Não Case – Parte II. Ele pode ser tudo, menos imprevisível.

Dessa vez, Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms), Alan (Zach Galifianakis) e Doug (Justin Bartha) viajam às vésperas de um casamento. Quem está prestes a se casar agora é Stu e a cerimônia será em um luxuoso resort na Tailândia. E é lá que tudo acontece novamente.

O filme possui exatamente a mesma estrutura do primeiro, só que de uma forma mais exagerada. Logo, não conta com o seu melhor trunfo, a imprevisibilidade. Nós já conhecemos as piadas, então já estamos preparadas para elas. É claro que não são todas, ainda há aquelas que funcionam. E são realmente hilárias.

O trio protagonista também está mais exagerado, dessa vez com Bangcoc como cenário, as situações se complicam mais, sendo algumas até constrangedoras, como aquela onde Stu descobre o que aconteceu com ele quando estava "fora de si". Zach Galifianakis está menos engraçado do que no filme anterior, mas ainda é o personagem mais cômico. Suas falas são as melhores. Um ponto positivo do filme foi ter mantido o personagem Mr. Chow (Ken Jeong), só que agora com uma participação maior e mais engraçada. O futuro sogro de Stu também é um acerto na trama, mesmo que sendo importante apenas na introdução do filme. A história em si está mais violenta, temos gangues armadas, tiros (inclusive personagem sendo baleado) e algum sangue em cena.

Algumas pessoas podem dizer que fazer piadas com um macaco que fuma cigarros e é usado como "avião" por traficantes, ou um monge budista que por ter feito voto de silêncio e frágil demais para protestar é obrigado a participar de uma balada, ou até de um noivo que na véspera de seu casamento trai a noiva, é errado. Eu concordo que talvez não seja o melhor jeito para se fazer humor, mas com certeza é um humor que ultrapassa os tabus impostos pela sociedade. Você vai ao cinema assistir uma comédia para se descontrair e não questionar o mundo. Lembrem-se, é apenas um filme.

É uma pena que Se Beber, Não Case! – Parte II foi criado apenas por questões mercadológicas, e não pelo simples fato da ideia criativa, incorreta e engraçada que consagrou o primeiro filme. Há rumores que um terceiro longa será feito, em um formato diferente dos anteriores, mas tenho medo, a ideia criativa já se foi na segunda parte, o que restará para a terceira?



7,5 PIPOCAS!



Ficha técnica

The Hangover – Part II
– EUA, 2011 – 102 min.

Direção:
Todd Philips

Roteiro:
Craig Mazin, Scot Armstrong

Elenco:
Bradley Cooper, Zach Galifianakis, Ed Helms, Justin Bartha, Ken Jeong, Paul Giamatti, Jeffrey Tambor, Mason Lee, Jamie Chung, Yasmin Lee, Aroon Seeboonruang, Nick Cassavetes


















































segunda-feira, 6 de junho de 2011

X-Men – Primeira Classe

Tudo começou em 1963 quando Stan Lee e Jack Kirby criaram os X-Men. Numa época onde os super-heróis que dominavam as histórias em quadrinhos eram personagens tão invulneráveis aos problemas cotidianos, como por exemplo – o Superman que nem humano é – o que diferenciou os personagens criados por Stan Lee, eram os sentimentos e emoções humanas colocados neles de uma forma que qualquer um poderia se identificar. Os problemas dos super-heróis, poderiam ser os problemas vividos por você. O Homem-Aranha sofria com valentões na escola, e passava aperto para pagar o aluguel da casa. Os X-Men sofrem com o preconceito e a aceitação, tanto da sociedade, quanto dos mutantes por si próprios. E isso é exatamente o tema central do filme, a aceitação.

A raça mutante de que os X-Men fazem parte, sofre uma cisão de ideais, Charles Xavier, o telepata mais poderoso do mundo, acredita na convivência pacífica entre humanos e mutantes, enquanto Erik Lehnsherr, o mestre do magnetismo, acredita na supremacia da raça mutante sobre os homo sapiens. Esse debate já existia nos primeiros filmes da série, mas agora conhecemos como tudo começou. Desde o primeiro contato entre Charles e Erik, até a criação da escola e do vilão Magneto.


A trama se passa antes dos mutantes se revelarem para o mundo, com a Guerra Fria como pano de fundo, conhecemos o ínicio da amizade entre Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lensherr (Michael Fassbender), antes dos dois se chamarem Professor X e Magneto, eles eram dois jovens descobrindo seus poderes.

O que deve ser levado em consideração é que a cronologia não é a mesma das histórias em quadrinhos. Temos personagens criados nas décadas de 1980/1990, inseridos na década de 1960. Mas isso não altera em nada o desenvolvimento da trama. Talvez alguns fãns chatos (como eu) não tenham gostado de ver alguns personagens sendo representados como pré-adolescentes, mas isso talvez seja inevitável, pois esse é um recomeço da série, e precisavam de personagens que não tinham sido aproveitados nos filmes anteriores. O que também não está fiel aos quadrinhos, são as origens de alguns personagens. A Mística (Jennifer Lawrence) se torna "meia-irmã" de Charles e chega a ter um affair com Fera e Magneto! Moira MacTaggert (Rose Byrne) é uma agente da CIA. Emma Frost, a Rainha Branca (January Jones) decepciona. Nos quadrinhos ela sempre foi manipuladora, inteligente e extremamente sedutora, mas aqui ela se restringe em ser apenas uma mera obediente ajudante de Sebastian Shaw (Kevin Bacon), aliás, Bacon faz uma ótima interpretação, nos convence fazendo o vilão principal do filme. Que conta também com Azazel (Jason Flemyng) e Maré Selvagem (Aléx Gonzáles), personagens totalmente dispensáveis, só são aproveitados pelo visual e pela ação.

Os dois personagens principais Xavier e Magneto são o que há de melhor no filme, a todo momento há ótimos diálogos entre os dois, a cada cena fica claro a forma que cada personagem pensa, que ideologia acreditam. É incrível como questões são levantadas e os dois lados argumentam com razão e, ainda que antagônicos, pareçam igualmente corretos aos olhos do espectador. Mesmo que o foco principal seja nos dois, ainda sobra espaço para desenvolver os personagens secundários. Mística é uma personagem fundamental na história, é através dela que o diretor nos mostra bem os dois lados das ideologias em questão, a atuação de Jennifer cresce ao longo da história, e o fim de Mística todos sabem qual é. O núcleo formado pelos novos mutantes, Destrutor (Lucas Till), Fera (Nicholas Hoult), Banshee (Caleb Landry Jones), Darwin (Edi Gathegi) e Angel (Zoe Kravitz) dá o tom de humor de que o filme precisa para se estabelecer como entretenimento. Fica o toque que Wolverine faz uma hilária participação no filme.

X-Men – Primeira Classe, resgata com louvor a magia das histórias em quadrinhos dos anos 60/70, nas ideias, no design e na diversão. Temos todos os elementos que um bom filme de super-heróis deve ter: desde vilões estilosos, uniformes coloridos, efeitos especiais (não são tão bons assim, mas está valendo), humor e ação na medida certa, mas há também discussões sérias, qualidade de personagens e drama. Tenho certeza que Stan e Jacky estão orgulhosos dessse filme, e é claro, eu também estou.




8 PIPOCAS!




Ficha técnica

X-Men – Fist Class
– EUA, 2011 – 132 min.

Direção:
Matthew Vaughn

Roteiro:
Bryan Singer, Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman, Matthew Vaughn

Elenco:
James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Beth Goddard, Morgan Lily, Oliver Platt, Álex Gonzáles, Jason Flemyng, Zoë Kravitz, January Jones, Nicholas Hoult, Caleb Landry Jones, Edi Gathegi, Corey Johnson, Lucas Till, Laurence Belcher, Bill Milner