segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sucker Punch – Mundo Surreal

O primeiro filme que eu assisti do diretor Zack Snyder foi Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, 2004), e desde então ele já se tornou um dos meus diretores da nova geração preferidos. E quando começou surgir na internet teasers e materiais promocionais do filme Sucker Punch – Mundo Surreal, eu criei uma expectativa enorme, pois seria o primeiro filme original do diretor, que até então só tinha realizado adaptações – 300 (2007), Watchmen – O Filme (2009) e A Lenda dos Guardiões (2010). E hoje, afirmo que as minhas expectativas foram correspondidas.


A trama conta a história de Babydoll (Emily Browning), que depois de um acidente causado por uma situação desesperada, e sendo vítima de um complô de seu padastro (Gerard Plunkett) para roubar a sua herança, é confinada ilegalmente em um sanatório. Faltando cinco dias para a chegada de um médico que vai lobotomizá-la (Jon Hamm), Babydoll encontra em sua imaginação um modo de se proteger. E é nesse mundo de fantasia que, com a ajuda de suas amigas Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens), Sweet Pea (Abbie Cornish) e Amber (Jamie Chung), Babydoll terá que executar um plano desesperado, sua única chance de salvação.

Confesso que o roteiro não é tão simples de se entender. Ele possui três "camadas" de percepção. A primeira é explícita, se desenvolve na história principal, com a atriz principal; a segunda se desenvolve com o universo criado por ela; e a última não é mostrada de uma forma clara. Durante o filme, o roteiro nos da dicas, tanto nas cenas de ação, quanto nos diálogos. No final dessa crítica eu descrevo qual foi a minha interpretação para a terceira camada, se você já assistiu o filme, leia e veja se concorda comigo.

Não há dúvidas que Sucker Punch se trata de um filme de Zack Snyder, tudo que se conhece pelo diretor, está no filme. Todos os planos de câmera, edição, cenas em slow motion (inclusive, há uma cena de vários minutos feita dessa maneira). Fãs de seus trabalhos anteriores não irão se decepcionar nesse aspecto. A trilha sonora é algo que deve ser destacada também. É muito boa! Na trama a música é extremamente importante, ela sempre acompanha a transição de uma camada para outra, ela é a condutora das cenas de ação. O filme começa com uma versão de Sweet Dreams (Are Made of This) cantada pela própria Emily Browning! Sem dúvidas um dos pontos altos do filme. Com certeza absoluta a experiência de assisti-lo no cinema não vai ser a mesma que assisti-lo em casa.

Os atores estão muito bem, nenhum deles compromete o andar da história, e alguns se destacam. Oscar Isaac é um deles, interpretando o vilão pricipal Blue, durante o longa todo ele deixa claro que não será um personagem amável por ninguém. As cinco garotas também se destacam num modo geral, juntas nas cenas de ação, se completam. Um quinteto mágico. Sozinhas, coloco Emily (Babydoll) e Abbie (Sweet Pea) como destaques. Cumprem com louvor o que as personagens representam e tem a oferecer para a história.

Porém, o que mais se destaca no filme, é o visual. Incrível, em todos os sentidos! A direção de arte de Larry Fong está impecável. É uma mistura maluca de vários elementos, que certamente influênciou (ou influência) o diretor. Temos desde demônios samurais com metralhadoras, até dragões e zumbis. Tudo isso mostrado de uma forma criativa e divertida, afinal é um mundo imaginário, tudo é possível. E é nesse mundo que a verdadeira ação acontece. O que dá fluência ao roteiro são exatamente essas cenas, onde entra a música alta e ação frenética, se você piscar dois segundos, será suficiente para "perder" algo. Aliás, o filme possui vários detalhes, aqueles ao qual quase são imperceptíveis, mas que estão lá e fazem parte da história em si. Eu só consegui ver a maioria deles quando assisti o filme pela segunda vez. Mas não se preocupe, como disse antes, são detalhes e não vão estragar a diversão de assisti-lo caso você não consiga vê-los. E não vá achar que o filme é só isso, ação por si só, pois ele não é. Por trás dessa parte estética, há discussões que podem ser aplicadas em nossas vidas. Metáforas estão presentes nele todo.

Sucker Punch – Mundo Surreal entra para a minha "Galeria Zack Snyder" com prazer, mais uma vez eu digo que minhas expectativas foram correspondidas. É mais um belo filme do competente diretor, e dessa vez, pode-se afirmar com todas as letras que é um filme dele mesmo. Seu próximo projeto já está em andamento, ele irá dirigir o novo filme do Superman (com o título definido até o momento por Superman – O Homem de Aço). Mas já espero ansiosamente por mais uma obra original de Zack, pois ele provou com Sucker Punch que o céu é o limite.


8,5 PIPOCAS!


Ficha técnica

Sucker Punch – EUA, Canadá, 2011 – 110 min.

Direção: Zack Snyder

Roteiro: Zack Snyder, Steve Shibuya

Elenco: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Jon Hamm, Scott Glenn, Oscar Isaac, Vicky Lambert, Ron Selmour, Danny Bristol, Malcolm Scott


SESSÃO SPOILERS!

Em alguns casos, irei colocar após a minha crítica uma sessão spoilers. E na crítica de estreia, já irei fazê-la, pois Sucker Punch "pede" por isso. Anteriormente, disse que o filme possui três camadas de interpretação, agora irei comentar o que eu entendi sendo a terceira camada. Antes de qualquer coisa, deve ficar claro que a personagem principal não é a Babydoll e sim a Sweet Pea. A história de Babydoll começa no ínicio do filme e termina quando ela sofre a lobotomia. Todo o universo que se passa no cenário do Cabaré (praticamente o filme todo), é o modo como Sweet Pea enxerga o mundo, a realidade para ela é o que é mostrado nele. Tanto que, quando o médico vai lobotomizar Babydoll, ela fecha os olhos, quando a cena volta, já estamos acompanhando o que a Sweet Pea enxerga. Reparem que todos os personagens tem apelidos, nenhum é chamada pelo nome próprio, pois Sweet Pea não sabe o nome de ninguém! Ela cria apelidos para poder nomear as pessoas, com excessão da Dra. Gorski que é a única que Sweet Pea realmente conhece, é ela que a ajuda no tratamento. A trama armada e executada da conquista dos cinco objetos realmente aconteceu, mas o que é mostrado para o público, é a forma como Sweet Pea enxergou toda a ação. A única garota sã é Babydoll, e é exatamente ela que observa os objetos e cria o plano para escapar do sanatório.

Quem narra o filme é a Sweet Pea, é ela que faz a narração do começo e é com ela que o filme termina. Essa narração da base para a minha teoria, pois ela diz na primeira cena do filme: "Muitos não acreditam em anjos, mas eles surgem nos momentos mais loucos e inesperados de nossas vidas..." (não lembro exatamente as palavras, mas era algo assim); e nesse momento é mostrado a Babydoll. Ela é o anjo da guarda de Sweet Pea, é ela que vai salva-la do sanatório.

Vendo entrevistas do diretor, chego a conclusão que ele realmente montou um filme com três níveis. Ele não deixa claro que sim, mas também que não. O que fica explícito é que Snyder se preocupou com detalhes, e isso pode ajudar a compreender o terceiro nível do roteiro.

Agora, confesso que não entendo como é mostrado as mortes de Amber e da Blondie, sendo que a Sweet Pea esta presa no armário da cozinha. Ela não viu o que aconteceu, então como isso é mostrado?

Entendam que essa é uma teoria, é a maneira como eu interpretei o roteiro complexo de Sucker Punch, não significa que é a verdade suprema. Por isso, peço a gentileza de que deixem suas teorias aqui também, que concordem ou não com a minha interpretação!



6 comentários:

Watcher disse...

Ótimo Texto Thiago! Agora vão minhas considerações:

1 - Apelidos. Rocket era a irmã mais nova de Sweet Pea, então eu acho que ela deveria saber pelo menos o nome dela né?

2 - Mortes de Amber e Blondie (Essa tinha que ter levado bala mesmo pq entregou a galera! =P) Se não me engano no final, na saida do Sanatório, Baby Doll diz que só sobraram elas duas. Essa declaração foi interpretada pela Sweet Pea (maluca) como se Amber e Blondie tivessem morrido. Mas talvez as mortes não tenham acontecido!

Bom é isso!
Aguardo mais criticas! =)

Henrique disse...

Parabéns Thiago bela resenha !

Hehehehehehehehe

Eu assiti o filme uma vez, talvez minha memória não esteja tão fresca mas vamos lá !

Acredito que todos percebemos que a Sweet Pea não possuía uma sanidade mental considerada normal,supostamente ela diz que possuía uma irmã "chamada" Rocket , tendo assim um entendimento de que isto talvez seria outra "fantasia" de sua mente como Amber e Blondie.

Para mim os únicos personagens reais foram a Babydoll,Sweetpea, Blue, o Dr.Lobotomia (esqueci o nome xD) e a Madame Gorski.

Temos tb outras teorias que aprofundam cada vez mais o enredo do Filme, como o motorista e garoto no ônibus no final do filme estão presentes tb na camada da 1° World War, confirmando a teoria que tudo foi criado pela Sweet Pea.

OBS : Acredito que ela seria uma excelente arquiteta no filme Inception ! :P
rsrs

Cya !

Thiago Sakowski disse...

Olá Watcher! Da primeira vez que eu assisti o filme, tinha entendido que talvez a Rocket não seja a irmã verdadeira da Sweet Pea, e sim apenas alguém que representasse essa irmã, mas da segunda vez que vi, percebo que não tem como ser isso, rs... e as mortes podem ser explicados com algo nesse sentido mesmo, talvez as garotas estejam lobotomizadas no santatório até hoje! =P... valeu pela visita!

Thiago Sakowski disse...

Obrigado pelo comentário Henrique! Como disse anteriormente, eu também achava que a Rocket fosse fruto da imaginação da Sweet Pea, mas encontrei muitos furos no roteiro para que isso seja verdade, não sei! rs... tenho que tomar um café com meu amigo Zack e perguntar isso para ele! ahuahuahuaha; e também acho que ela seria uma excepcional Arquiteta! A Ariadne não teria chance alguma contra ela!

Angel disse...

Interessante, não tinha ouvido falar....fica a dica ai. Flw

Thiago Sakowski disse...

Oi Angel! Você curtiu Sucker Punch? Ou achou um filme de menino? rs... obrigado pela visita e comentário!