quarta-feira, 20 de abril de 2011

Rio

Eu sempre gostei de animações, nem sei ao certo quantas vezes fui ao cinema com os meus pais para assisti-las quando criança. Na época, a Disney dominava o mercado, se você quisesse assistir um longa animado, teria que assistir um da Disney. Hoje, com o avanço da tecnologia, ela se vê obrigada a dividir esse mercado. Porém, eu ainda a coloco como líder absoluta em qualidade de animações, ela quase não erra. Já outros estúdios, quase acertam. Infelizmente, Rio foi um desses casos, esperava muito desse filme, achava que ele seria uma exceção, mas não foi.


O personagem principal Blu (voz original de Jesse Eisenberg), é uma arara-azul domesticada, capturada no Rio de Janeiro, que nunca aprendeu a voar e tem uma vida tranquila e confortável ao lado de Linda (Leslie Mann), sua dona, em Minnesota. Os dois são surpreendidos com a chegada de Túlio (Rodrigo Santoro), um estudioso amante das aves que viajou até os Estados Unidos atrás da última arara-azul macho que se tem conhecimento. Ele convence Linda da necessidade de Blu ir ao Rio de Janeiro e encontrar a única fêmea restante da espécie, a Jade (Anne Hathaway).
A história não é ruim, apesar de não ser muito criativa, empolga no começo e tira algumas risadas durante o filme, mas não consegue transmitir o verdadeiro Brasil, ela se afoga em todos os estereótipos imagináveis possíveis! Sendo um diretor brasileiro (Carlos Saldanha), eu esperava uma outra visão do nosso país, uma visão menos caricata, que pelo menos não tivessem saguis ladrões, ou seguranças fortões escondendo roupinhas brilhantes por baixo do uniforme só esperando o momento certo para cair no samba.

O ponto forte do filme com certeza é a construção dos cenários. Tudo ficou muito bonito, a cidade do Rio de Janeiro, a praia, o Cristo Redentor, o Sambódromo, até a favela ficou bem caracterizada (não que isso seja motivo de orgulho), os detalhes são excelentes. Imagino que a equipe de criação teve que pesquisar muito para deixá-los tão ricos. A cena de abertura impressiona pela quantidade de cores e movimentos. E assim se segue até o final do filme. A caracterização dos personagens está bem construída também. Blu e Jade se destacam, junto com o vilão Nigel (uma cracatua). Já os personagens secundários não me agradaram, talvez possa ter sido culpa da dublagem (cheia de gírias e trejeitos), mas não me convenceram em nenhum momento da história. Detalhe para duas coisas: primeiro, a gangue dos saguis, que me lembraram demais os ótimos Pinguins de Madagascar (espero que tenha sido uma mera coincidência), e a segunda é que eu vi flamingos no filme! Não tenho certeza, mas eu acho que era sim, se alguém também viu, comente por favor! Seria um erro grotesco!

A trilha basicamente se resume em samba. Claro, que inevitavelmente há uma mescla de gêneros, temos desde o dueto entre Carlinhos Brown e Mikael Mutti, à Jamie Foxxx, Bebel Gilberto e Will.i.am. A direção musical ficou por conta de Sérgio Mendes, músico famoso por suas "aventuras" no exterior. Podemos resumir que o samba brasileiro, se tornou um samba "americanizado".

Sei que o Brasil é conhecido lá fora pelo carnaval e pelo futebol, mas sei também que não é só isso que temos aqui. Colocar esses elementos no filme seria inevitável, mas poderia ser de uma outra maneira. Não espero que uma animação infantil mude a imagem do país perante o mundo, mas achava que Saldanha nos daria uma "força" para mudar isso.


6 PIPOCAS!




Ficha técnica

Rio – EUA, 2011 – 96 min.

Direção: Carlos Saldanha

Roteiro: Don Rhymer

Elenco: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, Leslie Mann, Jamie Foxxx, Will.i.am., Tracy Morgan


8 comentários:

Karina Maia disse...

Eu concordo totalmente com você! Acho que essa animação só piorou a imagem do Brasil lá fora! Mas, como você mesmo disse, não esperava que um filme infantil iria mudar alguma coisa. Parabéns pelo blog, estou amando ler as suas críticas! Beijos!! =D

Thiago Sakowski disse...

Oi, Karina! Talvez não tenha piorado a imagem, mas não ajudou a melhora-la, rs. Muito obrigado pela visita e comentário!

Bruninha na Austrália disse...

E aeee Thi...curti seu comentario e to curtindo a forma que vc ta desenhando seu blog...adorei as notas como forma de pipoca...e que tal colocar uns filmes mais polemicos....talvez mais velhos... tenho uma lista otima pra vc escrever...pq assistir tenho certeza que ja assistiu.....saudade bjaoooo

Thiago Sakowski disse...

Aeee Bru! Comentário internacional! ahuahuahua... valeu pelos elogios! E com certeza vou colocar críticas de filmes mais antigos! Passa a sua lista depois! rs... beijoooos!! Saudades!

Anônimo disse...

Assim, só por curiosidade, você gostaria que o filme falasse sobre o que ao invés de samba e caranaval?
Thaissa

Thiago Sakowski disse...

Oie, Thaissa! Então, eu sei que seria inevitável colocar samba e carnaval no filme, só achei que poderia ter sido de uma outra maneira, sabe? Sem exagerar tanto nos esteriótipos! Assistindo o filme, dá impressão que absolutamente todas as pessoas amam e não vivem sem o carnaval, mas a realidade não é bem assim, não concorda? Qual nota você dá para o Rio? Muito obrigado pelo comentário! Fico feliz quando alguém comenta! Volte mais vezes! =)

Anônimo disse...

Oi Thiago!
Foi só por curiosidade mesmo que perguntei, porque eu mesma não penso em outra coisa que lembre o Brasil a não ser samba e carnaval...ah faltou mulher pelada...rs
Mas isso é culpa dos próprios brasileiros...
Quanto ao filme de zero a fez, dou nota 7.
Depois do que falou realmente clareou minhas idéias, nao precisava tanto, o filme se resumiu em carnaval e samba. Mas por outro lado, no dia em que assisti o filme, levei minha sobrinha de 9 anos, e imagina? Ela adorou, e agora só quer conhecer o RJ.
Bjs

Thiago Sakowski disse...

Oi Thaissa! Pois é! Rio não foi feito para ser analisado profundamente, rs... temos que assisti-lo sem ter essas "preocupações" na cabeça... muito obrigado pelo comentário! Volte sempre, tá? Beijos! PS* Leve sempre a sua sobrinha ao cinema! =D