terça-feira, 29 de novembro de 2011

Contágio


Quanto tempo dura um apocalipse? No cinema, estamos acostumados a presenciar apenas o apocalipse "estabelecido", nunca acompanhamos o processo do caos. Em Contágio, acompanhamos não apenas como o apocalipse se aproxima e se estabelece, mas também a reação do cidadão comum e das principais instâncias de poder do mundo diante do fim iminente. Tudo de uma forma dramática e realista.

A trama segue o rápido progresso de um vírus letal, que mata em poucos dias. Infectados passam a exibir sintomas misteriosos: tosse seca e febre, seguida de convulções, hemorragia cerebral e, por fim, morte. Como a epidemia se espalha rapidamente, a comunidade médica mundial inicia uma corrida para encontrar a cura e controlar o pânico que se espalha mais rápido do que o próprio vírus. Ao mesmo tempo, pessoas comuns lutam para sobreviver em uma sociedade que está desmoronando. Em Minneapolis, Chicago, Londres, Paris, Tóquio e Hong Kong os números rapidamente se multiplicam: um caso vira quatro, depois dezesseis, centenas, milhares enquanto o contágio varre todas as fronteiras, alimentado pelas inúmeras interações feitas pelos seres humanos no curso da vida diária. Explode uma pandemia mundial. Nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos Estados Unidos, os pesquisadores tentam decifrar o código biológico único do patógeno, enquanto ele continua a se modificar. 

Para representar a sociedade como um todo, são utilizados basicamente três esferas: o cidadão comum, representado pelos pais de família (Matt Damon, John Hawkes); as instituições públicas, concentradas nos médicos e epidemiologistas (Laurence Fishburne, Kate Winslet, Elliot Gould, Marion Cotillard); e, para fazer a ponte entre esses dois extremos, temos a mídia, na figura de um blogueiro e repórter investigativo (Jude Law).


Todas as atuações estão ótimas, porém, merecem destaque Kate Winslet (que está muito melhor do que em O leitor), Laurence Fishburne, que me surpreendeu e Matt Damon e sua filha, que são o ponto alto do longa (talvez pela aproximação de seus personagens com nós). Mas na trama, os atores não são os protagonistas do filme. Estamos acostumados a ter um arco principal e histórias coadjuvantes que auxiliam no desenvolvimento da trama principal. Em Contágio isso acontece, mas não da forma esperada. Temos um elenco colossal, coadjuvante de um protagonista que não é visto em nenhum momento, o vírus. Portanto, é preciso entender que o protagonista desta fita é o vírus.

A principal força de Contágio não está, porém, no roteiro, e sim na encenação. Soderbergh filma com enquadramentos "duros", de movimentos econômicos, e com a câmera à meia distância dos atores – um jeito aparentemente desapaixonado de encarar um tema tão dramático, mas esse estilo ajuda a dar ao filme um tom mais clínico. O distanciamento é uma boa forma, também, de valorizar os close-ups quando eles acontecem. Há dois tipos de close-ups que fazem a diferença. O primeiro são os planos-detalhes em maçanetas e em mãos que pousam sobre comidas e objetos. É essa opção de estilo que torna o filme tão eficiente como peça de alarmismo. E há os close-ups propriamente ditos, nos rostos de personagens atônitos com o que está acontecendo ao seu redor. São close-ups sem cortes rápidos, a duração um pouco mais longa dos planos permite ver mudanças de expressão, permite ver o pavor e o choque. A trilha também é algo que faz realmente diferença. Durante o longa todo acopanhamos os fatos com batidas eletrônicas eletrizantes, lembrando muito os franceses do Daft Punk.



Enfim, Contágio é um dos melhores filmes que tratam do tema em questão. Sem zumbis ou qualquer outro tipo de humano geneticamente modificado por acidente.  Como o início de um apocalipse se reflete na vida das pessoas. Realista e alarmante. Exatamente como devia ser.



8 PIPOCAS!



Ficha técnica:

Contagion – EUA , 2011 - 106 min.

Direção: Steven Soderbergh

Roteiro: Scott Z. Burns

Elenco: Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Marion Cotillard, Laurence Fishburne, Gwyneth Paltrow, John Hawkes, Demetri Martin, Bryan Cranston, Elliott Gould
 



sábado, 12 de novembro de 2011

Gigantes de Aço


O esporte sempre foi um tema recorrente entre filmes: Um Domingo Qualquer (1999), Carruagens de Fogo (1981), Duelo de Titãs (2000), Invictus (2009), Seabiscuit – Alma de Herói (2003), Jamaica Abaixo de Zero (1993), entre outros. Porém, o boxe com certeza é o esporte com melhores adaptações: todos os filmes do Rocky Balboa (1976-2006), Menina de Ouro (2004 – meu preferido), Ali (2001), Touro Indomável (1980), O Vencedor (2010) e dessa vez Gigantes de Aço.

A história se passa em 2020, quando o boxe humano foi proibido e robôs humanóides pesos-pesado assumem o espetáculo. Neste contexto estão Charlie Kenton (Hugh Jackman) e seu filho Max (Dakota Goyo), que treinam um robô sparring, chamado Atom, para ser um campeão.

Se eu fosse resumir o filme em uma única palavra, eu escolheria surpreendente. O filme é sim surpreendente. A princípio, você pode achar que ele seria repleto de clichês e tão previsível que se tornaria chato, mas isso não acontece. Os clichês estão lá, mas não atrapalham em nenhum momento o andar da trama. Pelo contrário, nos faz pensar que clichês em momentos certos ajudam a enriquecer o drama necessário.  Ou alguém discorda de todo o sentimentalismo presente nas cenas de Charlie com seu filho, ou dele com a sua parceira Bailey Tallet (Evangeline Lilly)? Ou até mesmo da amizade de Max com seu robô Atom?


Aqui, o centro da história não são as lutas. Achei até que foram poucas, foram 4 durante o longa todo. E todas merecem ser elogiadas, sem excessão. Tecnicamente são perfeitas. É incrível como parecem ser reais, elas possuem uma fluidez impressionante, frutos de coreografia, captação de movimentos e muitos pixels.  Os robôs são majestosos e imponentes, ao mesmo tempo "divertidos" e "humanos". Confesso que torci pelo robô principal como se a luta estivesse realmente acontecendo, aliás, o Atom sem dúvida é o mais humano de todos. Em certos momentos parece possuir alma. Na cena onde ele olha no espelho no vestiário, por exemplo.

Mas o centro da história é a relação de Charlie e Max. Jackman interpreta um pai ausente que tem de conviver com seu filho de 11 anos que acabou de perder a mãe. Ela era uma antiga namorada, da época em que ele era um famoso boxeador. A chegada do menino deveria fazer com que Charlie entrasse na linha e inclusive largasse o boxe de robôs para se entender com Max. Porém o garoto é um entusiasta das lutas entre robôs e sabe tanto ou mais que seu pai. Ele conhece a história, os grandes projetistas e é fã incondicional do número 1 do mundo, o invicto Zeus, projetado pelo japonês Tak Mashido (Karl Yune) e empresariado por Farra Lemcova (Olga Fonda), que praticamente é dona do campeonato mundial.


Hugh Jackman faz muito bem o papel do pai canalha, mas carinhoso, que vai aprendendo o lado bom de ser pai. A cumplicidade que vai se formando entre os dois mostra como eles estavam bem entrosados durante as filmagens. O roteiro faz o resto, mostrando que mesmo sem jamais ter convivido com o pai, Max carrega o seu DNA, que envolve auto-confiança, paixão pelo boxe e dedicação ao que ama. E vale destacar que Dakota faz uma excelente interpretação, não conheço outros trabalhos desse garoto, mas desde já virei seu fã. Muito bom mesmo. A emoção que ele nos passa na última luta do filme é impressionante. Espero que ele continue atuando dessa maneira em todos os trabalhos da sua futura carreira. 

Algumas pessoas podem dizer que Gigantes de Aço não passa de uma cópia atualizada de Rocky – Um Lutador, mas o que quase ninguém sabe, é que esse filme foi baseado em um conto chamado "Steel" de Richard Matheson escrito em 1956. Acho que muito tempo antes de Rocky e Falcão. Depois dos badalados Capitão América, Thor, Piratas do Caribe e Harry Potter, Gigantes de Aço é sem sombra de dúvida um dos melhores blockbusters do ano. Mostra ser um filme realmente envolvente, emocionante e tecnicamente impecável.  Entra para a história dos filmes sobre boxe. E qual é o problema de considerá-lo o Rocky Balboa do século XXI?


9,5 PIPOCAS!


Ficha técnica:

Real Steeal – EUA, 2011 – 127 min.

Direção: Shawn Levy

Roteiro: John Gatins, Michael Caton-Jones, Sheldon Turner

Elenco: Hugh Jackman, Dakota Goyo, Evangeline Lilly, Anthony Mackie, Kevin Durand, Olga Fonda, Karl Yune




quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Não Tenha Medo do Escuro


Quando vi materiais de divulgação e o trailer de Não Tenha Medo do Escuro, criei uma expectativa enorme. Há muito tempo não sentia vontade de assistir um filme de terror como senti desta vez. Afinal, o filme vai de contra mão aos recentes longas de terror, que se apoiam simplesmente no chamado gore (sangue, gritos, baixo orçamento, violência gráfica). A expectativa foi criada e até certo ponto, correspondida.

A trama acompanha Sally (Bailee Madison) uma garotinha abandonada pela mãe que é enviada para morar em Rhode Island com o seu pai (Guy Pearce) e a nova namorada dele Kim (Katie Holmes). Lá, a menina descobre sinistras criaturas morando no casarão do século 19 que o pai está restaurando para vender. O filme é um remake de uma produção para TV exibida em 1973. Quem cuidou da direção foi o quadrinista Troy Nixey, estreando no cinema sob a supervisão do produtor Guillermo del Toro.

Realmente o longa é diferente dos atuais filmes de terror. Não são explorados sustos fáceis e previsíveis, e sim valores clássicos do gênero. Sussuros na noite, silhuetas nas sombras e medo gerado através da ambientação. O que faz toda a diferença é a fotografia escura e a trilha,  são usadas com maestria.


A pequena atriz Bailee Madison está excelente. É de longe a melhor atuação do filme. Sempre com um olhar triste e apreensivo, nos trasmitindo tensão do começo ao fim. Você se coloca no lugar dela em vários momentos do longa. Acredito até que  se não fosse por ela, a história não teria o mesmo impacto.

Mas o ponto alto do filme, sem dúvida, é a mitologia criada para a raça que habita o casarão. A maneira como ela é desvendada aos poucos,  dá vontade de saber mais sobre elas e adentrar seus domínios nas profundezas. A forma que elas se movem na escuridão, seus olhos brilhantes, os sussuros,  tudo é mostrado de uma forma misteriosa e sagaz.


Porém, ainda que tenha ótima ambientação e momentos de excelente suspense, o filme gasta cedo demais seu maior trunfo, a expectativa pelas criaturas. Os diminutos seres malignos, afinal, não são tão assustadores assim, o que esvazia bastante seu potencial para o medo do meio para o fim da história. Esperava algo mais criativo e menos explícito. Se seguissem o mesmo conceito do ínicio do filme até o final, certamente teria resultado em um terror que nos faria sentir medo real do escuro.



7,5 PIPOCAS!




Ficha técnica:

Don't Be Afraid of the Dark – EUA, México , 2011 – 99 min.

Direção: Troy Nixey

Roteiro: Guillermo del Toro, Matthew Robbins

Elenco: Katie Holmes, Guy Pearce, Bailee Madison, Garry McDonald, Jack Thompson, Julia Blake, James Mackay


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Apollo 18


Desde A Bruxa de Blair (1999) foram lançados diversos filmes do conhecido sub-gênero "longa metragem criado a partir de material encontrado". Nem sei ao certo quantos são, mas sei que poucos me agradaram, talvez os mais recentes REC (2007) e Cloverfield – Monstro (2008) foram os melhores que assisti. Porém, até então, ninguém pensou em levar esse sub-gênero ao espaço, em Apollo 18 isso acontece. Mas não da forma que eu esperava.

A trama explora as teorias da conspiração sobre a missão espacial Apollo 18, cancelada na década de 1970 pela NASA. A história revelará que a missão existiu, e depois dela nem EUA nem União Soviética ousaram pisar na Lua de novo. A tripulação tem apenas três astronautas e quatro dias de missão. Mas ao chegarem ao destino, os dois ocupantes do módulo lunar e o piloto em órbita começam a experimentar estranhos eventos, que não tardam a passar de estática nos canais de comunicação a ocorrências cada vez mais sinistras.


Apollo 18 segue a linha estabelecida desse tipo de filme. No ínicio apresentam-se brevemente os personagens, no caso, os três únicos. Eles trocam algumas histórias divertidas para fazer com que o público se identifiquem com eles. A seguir, o filme começa a jogar com as câmeras e com a percepção do espectador com edição e fotografia retrô. O que faz ele sair do clichê estabelecido é que contém algumas cenas com efeitos visuais, não são os melhores e mais originais, mas dão uma melhoria no contexto geral da história.

Infelizmente, porém, Apollo 18 falha no que poderia ser o seu maior trunfo, a nossa inserção no meio lunar, com toda a sua claustrofobia e solidão. É claro que o filme ainda transmite essas sensações, porém, não com a intensidade esperada. Em determinados momentos o longa chega a ser repetitivo e maçante, com cenas de silêncio absoluto, como introdução para "sustos" na plateia. A mania das péssimas cenas noturnas, em que eventos acontecem enquanto os protagonistas dormem, continua a tendência nesse tipo de suspense. E algumas coisas no roteiro foram difíceis de engolir, como por exemplo o sistema do módulo lunar russo ser o mesmo que o americano.

Espero que Hollywood volte a pensar grande e pare de usar a velha desculpa para aliar a falta de orçamento a um suposto realismo que simula uma história baseada em fatos – supostamente mais atrativa em termos de mercado. Filmes amadores que simulam realismo foram legais em 1999, hoje não passam de desculpas para gastar pouco e ganhar muito.


4 PIPOCAS!



Ficha técnica:

Apollo 18 – EUA, 2011 – 88 min.

Direção: Gonzalo López-Gallego

Roteiro: Brian Miller, Cory Goodman

Elenco: Warren Christie, Lloyd Owen



sábado, 10 de setembro de 2011

A Última Música


Da mesma maneira que eu gosto de assistir filmes, eu gosto de ler. Gosto mais ainda de ler um livro e assistir sua adaptação no cinema. Foi assim com Marley & Eu, O Código da Vince, Anjos e Demônios, a saga Harry Potter, entre outros. Recentemente ganhei o livro A Última Música de uma amiga minha, confesso que não é o meu tipo de leitura preferido, mas por se tratar de Nicholas Sparks, o autor de Querido John, Noites de Tormenta, Um Amor para Recordar e Diário de uma Paixão (todos adaptados para o cinema), me interessei. Mais uma vez, li o livro e assisti o filme. Que decepção.

A trama conta a história de Ronnie (Miley Cyrus), uma adolescente nova-iorquina revoltada que vai passar férias de verão com o pai (Greg Kinnear) no litoral junto com o irmão Jonah (Bobby Coleman). Durante esse tempo, Ronnie conhece Will (Liam Hemsworth) e o típico romance de verão pode se tornar algo mais.

Como é de praxe, o livro é muito melhor que o filme. Aliás, na maioria das vezes é. Tem algumas adaptações que são bem fiéis, que possuem alterações em detalhes, mas a maioria não consegue mostrar com satisfação a adaptação da linguagem escrita para a cinematográfica. Aqui, praticamente só a essência do livro está presente. O contexto geral é o mesmo, mas o desenvolver da história ficou devendo. E muito. Não sei o motivo, afinal o próprio Nicholas trabalhou no roteiro.


Todos os personagens secundários recebem pouquíssima atenção. No livro, eles são de suma importância para a trama, mas no filme, são quase que descartados. Não entendi porque Scott, Marcus e Blaze não foram melhores aproveitados. Sem contar na total ausência do pastor Harris. Por incrível que pareça, a trama não se resume apenas no romance entre Ronnie e Will, o romance é apenas  uma consequência da história e não o principal motivo dela. Mas no longa é exatamente o contrário, o romance fica em primeiro plano na trama. E isso não me agradou.

Miley Cyrus foi mal escolhida para interpretar o papel principal. Ela não desenvolve bem a personagem, fica devendo o filme todo. Toda a transformação que Ronnie vive, principalmente no final da história não é bem mostrada, Miley parece a mesma pessoa do início ao fim. O papel da música no filme também é quase esquecido, não conseguimos entender o quanto a música é importante para o seu pai e mesmo para ela.  


Posso estar sendo injusto ao analisar o filme comparando-o rigorosamente com o livro, mas penso que todos devem lembrar que o livro foi criado antes do filme, e não o contrário. Entendo claramente que não existe uma adaptação cinematográfica 100% fiel, mas entendo também que é possível sim, criar uma ótima adaptação alterando somente detalhes. E em A Última Música, infelizmente isso não acontece. Conselho: assistam o filme e não leiam o livro, ou leiam o livro e não assistam o filme.



4,5 PIPOCAS!



Ficha cnica:

The Last Song – EUA, 2010 – 107 min.

Direção: Julie Anne Robinson

Roteiro: Nicholas Sparks, Jeff Van Wie

Elenco: Miley Cyrus, Greg Kinnear, Bobby Coleman, Liam Hemsworth, Hallock Beals, Kelly Preston, Nick Lashaway, Carly Chaikin, Kate Vernon




 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Planeta dos Macacos: A Origem


Antes de começar a minha crítica, tenho que deixar claro que nunca assisti nenhum dos três filmes originais da saga Planeta dos Macacos. O único que assisti foi o remake de 2001, que não me agradou. Logo, faço a minha avaliação "livre" de qualquer influência e referências dos filmes originais. E não sei se isso é bom ou ruim.

Em Planeta dos Macacos: A Origem, James Franco vive um cientista que trabalha em São Francisco, com engenharia genética para o tratamento de doenças. Cesar (movimentos de Andy Serkis) é o nome do primeiro supermacaco, resultado de experiências para combater o Mal de Alzheimer, dotado de inteligência superior. Ao ser traído pelos humanos que tentava emular, Cesar começa uma campanha violenta para reinvindicar os direitos símios entre os homens.

O ponto forte do filme sem dúvida são os efeitos especiais. Não há nenhum animal real e nem bonecos, todos os macacos são feitos por computação gráfica. Chegam em certos momentos a fazer o espectador se perguntar se aquilo é mesmo uma criação digital ou um animal de verdade. A empresa responsável por todas essas criações é a Weta Digital, mas não tem como admitir que é Andy Serkis (ator que ficou famoso ao viver Gollum, de O Senhor dos Anéis) e que se especializou na técnica da captura de performance, que rouba a cena. Consegue demonstrar com um equilíbrio perfeito a selvageria e humanidade de seu personagem. Posso dizer também que Cesar é o personagem principal do longa. Ele tem mais tempo de tela do que qualquer outro humano. A imprensa geral já comenta que Andy merece ser indicado ao Oscar por sua atuação, não acredito que a academia irá indicá-lo, mas com certeza ele mereceria.



Ao contrário do macaco realista, os humanos do filme parecem artificiais. James Franco não compromete, mas também não se destaca. Sua parceira Freida Pinto e os "vilões" Brian Cox e Tom Felton não passam de coadjuvantes em todos os sentidos. Sorte que o roteiro dá pouca importância para eles e do meio em diante a macacada segura o filme até o fim. O único personagem que se destaca é o pai de James (John Lithgow), todas as melhores cenas fora do núcleo símio é ele quem protagoniza. É a doença dele, afinal, que motiva seu filho a realizar experiências genéticas em macacos. É triste ver uma pessoa sofrendo por uma doença sem cura.

Mas nem tudo é elogios. O que falta ao roteiro é um pouco mais de coerência em determinados momentos. Há diversas situações que são "forçadas" para que o roteiro siga adiante. Situações simples que não precisavam ser mostradas da maneira que foram. Não consigo entender como um roteiro assim é aprovado. E muito menos como um diretor aceita filma-lo. Eu, que nunca estudei cinema, conduzaria melhor algumas cenas.

A melhor sequência do filme é a batalha final na ponte Golden Gate. Na organização de seu exército e nas táticas de Cesar, encontra-se a estratégia romana de guerra. Há lanceiros, formações defensivas e um flanqueamento por três pontos digno de elogios. Em determinados momentos, essa batalha nos dá uma sensação mesclada de fascínio e puro terror. Sem contar na expressão grotesca do macaco Korga.


Planeta dos Macacos: A Origem não vai revolucionar a história do cinema, como fez o primeiro filme da saga, mas vai com certeza ser lembrado no futuro. É uma produção bem feita, com ótimas cenas de ação, ótimos efeitos visuais e ao mesmo tempo divertida. Peca um pouco no desenvolver do roteiro, mas não o suficiente para estragá-lo. Dizem que o cinema criativo morreu, que não existe mais nada sem ser sequências, remakes, animações ou adaptações. Porém, se o cinema não-criativo for como esse Planeta dos Macacos, então me sinto mais aliviado.




7, 5 PIPOCAS!




Ficha técnica:

Rise of the Planet of the Apes
– EUA, 2011 – 105 min.

Direção:
Rupert Wyatt

Roteiro:
Rick Jaffa, Amanda Silver

Elenco:
Andy Serkis, James Franco, Freida Pinto, Brian Cox, Tom Felton, David Oyelowo, Tyler Labine, Jamie Harris, David Hewlett, Ty Olsson

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Super 8



Eu não sou muito nostálgico, mas não tem como não afirmar o quanto os filmes das décadas de 1980 e 1990 foram importantes para mim, foram os mais criativos que vi. Me lembro claramente a sensação de assisti-los na casa da minha avó, na famosa Sessão da Tarde. E foi exatamente esse sentimento bom que Super 8 me trouxe de volta, mas de uma maneira diferente, melhor.

A trama se passa no verão de 1979, quando um grupo de seis garotos, em uma cidade industrial de Ohio, testemunha uma catastrófica colisão noturna de um caminhão com um trem de carga. Eles registram tudo com uma câmera Super-8 com a qual estavam tentando fazer um filme. Não tarda para que eles comecem a desconfiar que aquilo não foi um acidente, quando misteriosos desaparecimentos começam a acontecer e o exército tenta encobrir a verdade – algo mais terrível que eles poderiam imaginar.

O diretor J. J. Abrams (criador da série Lost) não esconde que queria criar um filme com temas e ideias bem específicas, por isso a parceria com a produtora Amblin de Steve Spielberg, produtora que prosperou com filmes do diretor nos anos 1980 e foi criada durante a produção de E.T. – O Extraterrestre (por isso o logo é o Elliott voando com a bicicleta). Mas não se engane, o filme é influenciado por essa década, mas não é feito só para nostálgicos, sua história é desenvolvida de uma maneira brilhante, mesclando muito bem a "escola" do cinema clássico com o moderno. Não é apenas um E.T. com Goonies.

Eu não gosto muito de ver crianças atuando, são poucas que realmente me convencem, mas aqui, todas me agradaram. O elenco principal ajuda demais o desenvolvimento da trama. O protagonista Joe (Joel Courtney) está muito bem, transmite com perfeição o carisma e a carência de seu personagem. Alice (Elle Fanning) é outra personagem que merece destaque, com um olhar meigo e ao mesmo tempo desafiador, não deixa a desejar o filme todo. A cena onde está ensaiando a sua fala na estação de trem, ou quando discute com seu pai bêbado, fica claro quanto talento essa garota tem. Já o melhor amigo de Joe, Charles Kaznyk (Riley Griffiths), chega em alguns momentos roubar a cena. Ele tem um pouco do clássico perfil "nerd": é um garoto gordinho, viciado em cinema, metido a diretor e com grandes problemas de insegurança. Ele se destaca por um "fator surpresa" na trama, já que o mesmo tem um "choque de interesses" com o protagonista. Com isso, Abrams cria um personagem real e de fácil identificação. O núcleo secundário – composto por adultos –, tem menos qualidade, mas não chega a afetar o desenrolar do filme.

Claro que para haver rebeldia, afinal crianças investigando acontecimentos estranhos não é algo que seria simplesmente permitido, deve haver a autoridade. Sendo assim, o pai de Joe (Kyle Chandler), é um policial e o pai de Alice (Ron Eldard) é um opressor, que tenta controlar a vida da garota a todo custo. Nota-se aqui a preocupação que J. J. Abrams tem em moldar seus personagens logo no ínicio da trama. Joe e Alice, assim como seus pais, estão deslocados, perdidos em um mar de dúvidas e inseguranças. De um lado, crianças que perderam a mãe, do outro, pais que não sabem criar seus filhos sozinhos. Talvez esse seja a maior qualidade do filme, a capacidade de Abrams de criar emoções reais. Perceba que até o monstro responsável por todo o suspense do filme é um ser "deslocado", tanto que nunca é mostrado em foco. A criatura que escapou do acidente de trem é um vulto que surge em reflexos na água, encoberto por objetos, remexendo copas de árvores, só no final do longa é mostrado com mais detalhes. O diretor sabe que para estimular a curiosidade, deve utilizar-se do mistério (e isso ele sabe realmente como fazer), nesse sentido, Super 8 é mais parecido com Cloverfield, do que com E.T..

Entretanto, achei que a criatura ficou exagerada. Não vou entrar em detalhes para não estragar nada, mas não vi muito sentido nele como um todo. Talvez se usassem uma maneira mais "próxima" do real ficaria melhor. Algo mais "humano", como os "Camarões" do filme Distrito 9 (2010). Mas é claro que aqui ele é apenas o pano de fundo para o desenvolvimento da história.

Alguns podem achar que Super 8 não passa apenas de uma montagem com filmes que consagraram Spielberg no cinema, mas fica nítido o toque pessoal de J. J. Abrams. Desde a forma como é conduzido, até detalhes, como a ótima trilha sonora, que foi feita pelo excelente Michael Giacchino. É um filme que possue como essência, o destrichamento dos personagens e a mensagem a ser passada, apesar do monstro por perto. Super 8 é um autêntico filme apaixonado pelo cinema, que respeita a arte, seus processos, mas não tem preconceito com gêneros. Conta uma história de uma maneira divertida, despretenciosa e surpreendentemente sincera. É um filme para os adoradores da sétima arte, da geração anos 1980 até 2000.



9 PIPOCAS!

Ficha técnica:

Super 8 – EUA, 2011 – 112 min.

Direção: J. J. Abrams

Roteiro: J. J. Abrams

Elenco: Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler, Riley Griffiths, Ryan Lee, Joel McKinnon Miller, Noah Emmerich, Glynn Turman, David Gallagher, Ron Eldad


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Capitão América – O Primeiro Vingador

O Capitão América nunca foi um dos meus personagens preferidos, é claro que todos os personagens principais que compoe o Universo Marvel são importantes e indiretamente você acaba gostando deles, mas, Steve Rogers não participaria de uma lista de 5 personagens que mais gosto. Porém, com a atual saga vivida pelos heróis Marvel, o Sentinela da Liberdade subiu no meu conceito, e hoje, ele faz parte dos meus personagens favoritos. Deixou de ser apenas um símbolo do patriotismo norte-americano, para se tornar um herói mais "humano". Sendo assim, acredito que não há momento melhor para lançá-lo no cinema.

Capitão América – O Primeiro Vingador, é o quinto longa feito pelo Marvel Studios, e é o primeiro que não sente a necessidade de amarrar suas mitologias, que não para de contar a história para mostrar teasers e mais teasers do que vem a seguir. A ideia de interligar os filmes, mostrando que os personagens não vivem em um universo único é legal, mas o que começou com cenas pós-créditos, se tornou o palco principal. Vide Homem de Ferro 2 e Thor. Fica claro que a Marvel está se preocupando em criar franquias, e não em apenas produzir boas adaptações. Mas eu entendo o lado comercial do cinema, o que interessa é o lucro no final do mês.
O personagem criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby funciona mais como uma aventura que lembra os filmes de Indiana Jones do que um super-herói convencional. A trama central se passa durante a 2ª Guerra Mundial e mostra como o franzino Steve Rogers (Chris Evans) se torna o supersoldado Capitão América, ajudando os EUA tanto dentro do front, como fora dele. Mas a principal ameaça não são os soldados alemães, e sim a força-terrorista Hidra, liderada pelo seu maior inimigo Caveira Vermelha (Hugo Weaving).



Há várias referências ao Universo Marvel, quem é fã e acompanha as histórias em quadrinhos vai sacar um monte delas. Desde um dos primeiros personagens criado pela editora, até o Comando Selvagem, uma unidade de elite liderado por Nick Fury, formada por membros de diversas etnias, de judeu e italiano a um alemão aliado. Talvez não explorar melhor a guerra em si, tenha sido a principal falha do filme. Afinal, o Capitão América só foi criado por causa dela. Há poucas cenas que mostra o Capitão realmente no front de batalha. O que foi mal explorado também foi a relação de Steve com Bucky Barnes (Sebastian Stan), nos quadrinhos eles eram realmente amigos, ficava claro o quanto um importava para o outro, na adaptação esse relacionamento se tornou comum. É verdade que temos algumas cenas que tentam mostrar essa importância, mas foram mal exploradas, acredito que essa amizade seria mais relevante na dramaticidade do filme. Ao contrário do que ocorreu em Thor, aqui o romance estabelecido entre Rogers e Peggy Carter (Hayley Atwell) funciona. Não temos um relacionamento forçado, tudo acontece naturalmente. O mesmo ocorre com os alívios cômicos, em Thor eram exagerados e mal feitos, aqui são poucos e muito bem colocados, principalmente pelo General Chester Phillips (Tomy Lee Jones). A mescla ação/humor funciona bem.


Chris Evans cumpre bem o seu papel, muitos achavam que era um erro contratar um ator que já tinha vivido outro super-herói no cinema (o Tocha Humana do Quarteto Fantástico), mas garanto que isso não atrapalha nenhum pouco. Com a tecnologia usada em O Curioso Caso de Benjamin Button, que deixou o ator franzino para o papel, somos convencidos do começo ao fim. Senti a falta de uma grande batalha entre os personagens principais. A cena do confronto definitivo precisava de mais peso, tudo é resolvido de uma maneira simples. Acredito que não apresentaram um desfecho apenas para um novo filme.


Considerado um dos mais difíceis filmes da Marvel pelo sentimento anti-americano mundial, Capitão América – O Primeiro Vingador consegue desviar-se desse tema delicado, consegue apresentar bem o personagem e ainda amarrá-lo aos demais heróis. Mas o principal ponto positivo é que dessa vez a trama e o desenvolvimento dos personagens fluem naturalmente, deixando os elementos da franquia em segundo plano. Ah! E como já é de praxe nos filmes Marvel, assistam a cena pós-créditos! É mostrado o trailer de Os Vingadores!




7, 5 PIPOCAS!


Ficha técnica:

Captain America – The First Avenger – EUA, 2011 – 124 min.

Direção: Joe Johnston

Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely

Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Dominic Cooper, Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Richard Armitage, Toby Jones, Neal McDonough, Derek Luke, Kenneth Choi, JJ Feid, Bruno Ricci, Lex Shrapnel, Michael Brandon, Martin Sherman, Natalie Dormer