sábado, 8 de fevereiro de 2014

O Lobo de Wall Street


Todos sabemos que a qualidade de Martin Scorsese é inquestionável, afinal, ele dirigiu filmes que são considerados clássicos na história do cinema. Longas como Taxi Driver (1976),  O Touro Indomável (1980) e Os Bons Companheiros (1990). Entretanto, suas mais recentes obras se mostram cada vez mais ousadas e não menos qualificadas. É claro que podemos atribuir um fator importante para isso, Leonardo DiCaprio. Essa parceria já foi realizada cinco vezes: Gangues de Nova York (2002),  O Aviador (2004), Os Infiltrados (2006), Ilha do Medo (2010) e agora, O Lobo de Wall Street.
 
O filme é baseado na história real de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), jovem ambicioso que sonha com a riqueza fácil conquistada na Bolsa de Valores de Wall Street. Sem emprego, ele descobre a mina de ouro na venda de ações que estão fora do pregão; são empresas pé de chinelo, algumas que não têm a menor chance de fazer sucesso, vendidas por uma ninharia. Mas que pagam a que vendê-las uma gorda comissão. Com uma lábia afiada, não demora muito para que Jordan se dê bem na nova profissão. Mais ainda não demora muito para que descubra o melhor meio de capitalizar o sucesso financeiro é fundando uma empresa que lhe traria rios de dinheiro: a Stratton Oakmont.
 

Logo na primeira cena, percebemos que esse filme não se utiliza dos velhos vícios da narrativa clássica ao contar a história de um homem de visão que, chegou à riqueza e depois sucumbiu à decadência. Não. Scorsese mais uma vez mostra sua habilidade de narração e nos apresenta a história sendo narrada pelo próprio protagonista. Até se utiliza, de uma certa maneira, de metalinguagem. Em determinados momentos o personagem principal conversa com o telespectador. Durante o filme todo, planos de câmeras não convencionais para esse tipo de narrativa são usados. Fugindo assim do velho clichê e "inovando" o jeito de contar a história já vista muitas vezes no cinema. Afinal, ascensão e queda é tema recorrente em filmes.
 
O diretor acerta também no elenco. Claro que DiCaprio como protagonista se destaca. Sua atuação é exímia do começo ao fim. Seu personagem sofre uma transformação ao longo da trama e o ator acompanha essa mudança magistralmente, há momentos de drama, momentos de desespero, momentos hilários (a maioria deles) e em nenhum deles Leonardo deixa de nos convencer. É incrível como ele consegue acompanhar o ritmo frenético do filme sem deixar a qualidade cair. Definitivamente merece a sua indicação ao Oscar desse ano. Os outros coadjuvantes também completam a qualidade técnica,  principalmente Jonah Hill, fiel parceiro de Jordan Belfort, nos brinda com uma atuação "sem noção" e hilária.


O Lobo de Wall Street é de fato um filme politicamente incorreto, porém, que se orgulha disso. E é exatamente por isso que o faz ser bom. Trata-se de um chute na porta, um filme que não tem medo de ser subversivo e ainda por cima gosta disto. São três horas de drogas, mulheres, bebida, luxo e todo tipo de fantasia (com anões, carros, animais) que o dinheiro pode pagar. E ao mesmo tempo, é um filme que mostra como o ex-corretor da Bolsa de Nova York tem o "dom da palavra"; como ele se utiliza da retórica e se beneficiou com isso. Com polêmicas e discussões conceituais, o novo filme de Martin Scorsese já entra para a lista dos melhores filmes que o diretor fez. Scorsese desafia o espectador a questionar não só o que vê mas também o que sente.

 
 
8,5 PIPOCAS!

Ficha técnica:

The Wolf Of Wall Street – EUA, 2013 – 180 min.

Direção: Martin Scorsese

Roteiro: Terence Winter

Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, P.J. Byrne, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jon Bernthal, Kenneth Choi, Henry Zebrowski, Jean Dujardin, Cristin Milioti, Matthew McConaughey, Jon Favreau, Brian Sacca, Spike Jonze, Joanna Lumley, Ethan Suplee, Jake Hoffman



 
Trailer (legendado):
 
 

sábado, 16 de novembro de 2013

Thor – O Mundo Sombrio

 
Lançado dois anos após o seu antecessor, o filme Thor – O Mundo Sombrio continua a chamada "segunda fase" da Marvel Comics nos cinemas. Este ano, já tivemos o Homem de Ferro 3, e ano que vem para completar a etapa, teremos Capitão América 2 – O Soldado Invernal e Guardiões da Galáxia. Claro que, como já foi estabelecido, todos os filmes se "integram" de alguma maneira, e nesse específico, fica mais claro ainda esse conceito.
 
A trama começa depois de os eventos de Os Vingadores. Loki (Tom Hiddleston) está preso em Asgard, que celebra as últimas batalhas pela pacificação dos Nove Reinos. A hora de coroar um novo rei se aproxima, mas uma ameaça ancestral ressurge na forma de Malekith (Christopher Eccleston), o rei dos Elfos Negros, uma raça que foi subjugada há 5 mil anos pelo avô de Thor, Bor, e que se acreditava destruída.
 
 
Para começar, diferente do primeiro filme, a história se passa quase toda em Asgard. E isso é um ponto positivo, pois toda a mística e mitologia da Cidade Dourada é melhor explorada e desenvolvida. Toda a sua arquitetura e tecnologia é bem retratada. Vimos também mais batalhas e exércitos em ação. Sem contar a raça vilã dos Elfos Negros que dá um toque à la Senhor dos Anéis no filme.
 
Lamentavelmente, a história continua tendo seus pontos fracos. Há uma coincidência relacionada a Jane Foster (Natalie Portman) que é preguiça de roteiro. Entende-se que o filme precise relacionar seus dois núcleos e dar importância à "mocinha", mas há improbabilidades colossais aí. As motivações genéricas do vilão também são um tanto cansadas, mas ele é tão cheio de presença que é possível não ligar.
 
 
O destaque é a ação e o humor que são realizados de uma maneira bem equilibrada. Talvez aja um pouco de exagero em ambos no terceiro ato do filme (como a cena do Thor no metrô); mas nada que chegue a estragar o andamento da história. Mais uma vez o ator Tom Hiddleston se destaca com sua atuação e é muito bem aproveitado. Thor (Chris Hemsworth)  também está mais parecido com o personagem dos quadrinhos. Me lembrou bastante quando ele usa seus poderes e o martelo. Fãs vão gostar com certeza.
 
 Thor – O Mundo Sombrio é um passo adiante tanto para a franquia como para o Universo Marvel cinematográfico, e introduz uma sequência durante os créditos relacionada a Guardiões da Galáxia que promete o filme mais insano da empresa até aqui. A Marvel deve seguir sendo a Marvel por mais algum tempo, felizmente.
 
 
8 PIPOCAS!
 
 
 
Ficha técnica:
 
Thor – The Dark World – EUA,  2013 – 112 min.    
 
Direção: Alan Taylor
 
Roteiro: Don Payne, Robert Rodat 
 
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Stellan Skarsgård, Christopher Eccleston, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Kat Dennings, Ray Stevenson, Zachary Levi, Tadanobu Asano, Jaimie Alexander, Rene Russo, Anthony Hopkins, Chris O'Dowd, Clive Russell, Graham Shiels, Richard Whiten
 


 
Trailer (legendado):
 
 
 

sábado, 2 de novembro de 2013

Gravidade

 
Desde sempre estamos acostumados a assistir filmes relacionados ao espaço. Não sei se o universo ainda é a grande dúvida e especulação da humanidade, mas o fato é que há muitos filmes de diferentes épocas com essa temática. O primeiro filme de ficção científica chamado  Viagem à Lua lançado em 1902, dirigido pelos irmãos Georges e Gaston Méliès, tratava exatamente disso: a descoberta do "novo". Eis que em pleno século XXI, ainda temos lançamentos que tratam desse tema, e em Gravidade ele é tratado de uma maneira extremamente tensa.
 
A ficção científica se passa no espaço, na órbita terrestre, a 600 quilômetros de altura. Nela, uma equipe de astronautas e cientistas instala novas partes no telescópio Hubble quando chega o alerta: uma nuvem de detritos está chegando em alta velocidade à sua posição. Em minutos, toda a segurança da nave se vai, e restam apenas a Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) e o comandante da missão, Matt Kowalsky (George Clooney), indefesos vagando pelo espaço. Pronto, o filme lida com essa situação do início ao fim.
 
O longa do diretor mexicano Alfonso Cuarón é um deleite técnico, afinal, segurar 90 minutos com apenas dois personagens em cena não é algo fácil. Mas ele consegue, e consegue sem erros. Claro que com dois atores maduros e consagrados é mais fácil, porém toda a parte técnica está impecável.
 
 
Todos os efeitos e cenários estão excelentes. Eu não gosto de filmes em 3D (acredito que esse efeito estrague a fotografia do filme), mas admito que  neste caso ele está perfeito. É um exemplo que deve ser seguido, todas as cenas estão ótimas e o 3D até ajuda a aumentar o clima tenso da trama. Explosões em gravidade zero e longos e aflitivos planos sem cortes que passeiam de dentro para fora dos capacetes dos personagens enquanto eles discutem sua situação fazem aumentar mais ainda o clima enervado. E para completar a alternância entre som e silêncio amplifica o drama e a excelente trilha sonora aflitiva de Steven Price entra apenas em momentos cruciais. Sem contar que a animação (o filme é quase que todo em computação gráfica) é formidável. Acredito que haverá algumas indicações ao Oscar para o ano que vem.
 
Por mais que o tema não seja criativo, a maneira como Cuarón nos apresenta o problema a ser resolvido é original. Afinal, aqui não vemos apenas a luta pela sobrevivência de astronautas perdidos no infinito do espaço, vemos grandes significados e a luta contra solidão, fragilidade e autocontrole do ser humano.
 
 
 
9 PIPOCAS!
 
 
Ficha técnica:
 
Gravity – EUA, 2013 – 90 min.
 
Direção: Alfonso Cuarón
 
Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón
 
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Eric Michels, Basher Savage, Paul Sharma
 


 
Trailer (legendado):
 
 

sábado, 5 de outubro de 2013

Invocação do Mal

 
Embora eu não tenha assistido todos os grandes clássicos do gênero, eu ainda considero os filmes de terror o estilo menos atraente da sétima arte. Todos os últimos filmes de terror que assisti foram decepcionantes. Não consigo me envolver e ser atraído com a história da mesma maneira que quando assisto outros tipos. Por isso, sempre que há um lançamento, minhas expectativas aumentam. E foi exatamente isso que aconteceu com Invocação do Mal. Mas, mais uma vez, foi a decepção que  me tomou, e não o medo.
 
Baseado em uma história real, o longa se passa em uma casa mal-assombrada, para onde a família Perron se muda, liderada por Lili Taylor por Ron Livingston. Quando fica claro que uma entidade obscura os está perseguindo, eles chamam os investigadores paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) para ajudar.
 
 
O tom "documental" que o diretor James Wan usa de início, como se estivéssemos diante de um programa investigativo de TV sobre o casal Warren, ajuda a dar ao filme, não só uma cara de terror-baseado-em-fatos, mas principalmente um clima de desafetação. Você acreditar que tudo que está sendo mostrado aconteceu de verdade, é o grande trunfo que a produção poderia conseguir. Mas e se eu não acreditar? Por isso, deve-se escolher bem o local onde a história irá ser passada. E isso, com certeza, é o ponto forte do filme.
 
O cenário pode ser um grande clichê, mas a maneira como é mostrado, não é. Pois não é pelo choque ou pelo grotesco que James Wan nos pega, e sim pela forma como se move na casa. Todos os planos de câmera e cortes são muito bem escolhidos. Passeamos diversas vezes, em diversos ângulos, por todos os cômodos da residência, fazendo com que o espectador se familiarize e se sinta literalmente "em casa". A montagem do filme usa o número de portas em cada quarto para nos desnortear, e a multiplicidade de ângulos (câmera ora no teto, ora de ponta-cabeça) e de perspectivas (câmera sobre o ombro da mãe, do pai, das filhas, é gente demais num lugar que já não parece grande o suficiente) termina de fazer o trabalho. Claro que tendo como protagonistas uma família de sete pessoas (sendo cinco filhas de diferentes idades), ajuda na identificação da trama, mas fica evidente que a maneira como foi filmado é a principal responsável  por criar a tensão.
 
 
Mas além da técnica, não há nada no filme que me agradou. Todos os outros elementos de "medo" são explorados da mesma forma que muitos outros filmes. Objetos que se movem sozinhos, sussurros na noite, portas que batem, e por aí em diante. Há sim vários momentos que assustam, mas não me deram medo. Assustam mais por causa da trilha alta, explodindo na cena, do que o medo criado por algo inexplicável. Sem contar das diversas cenas que não fazem sentido nenhum se colocadas na nossa realidade. Exemplo: se você está dormindo, e acorda de madrugada devido um forte barulho não identificado, você levanta da cama no escuro total e vá investigar o que aconteceu, ou levanta e acende a luz antes de mais nada? Se a ideia é convencer o espectador à acreditar em tudo que está acontecendo, acho que "truques" cinematográficos desse tipo não deveriam ser utilizados.
 
Apesar de tudo, Invocação do Mal não é um filme ruim. Mas também não chega nem de perto o filme espetacular que está sendo vendido. Talvez os mais impressionáveis, ou que não tenham visto muitos filmes do gênero o julguem formidável. Mas infelizmente é algo que simplesmente se assiste e se esquece, porque não passa de uma coletânea de tudo que já vimos antes inúmeras vezes. E a expectativas por um filme de terror que me deixe com medo de verdade continua aumentando.
 
 
 
5 PIPOCAS!
 
 
 
 
Ficha técnica:
 
The Conjuring – EUA, 2013 – 112 min.
 
Direção: James Wan
 
Roteiro: Chad Hayes, Carey Hayes
 
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor, Ron Livingston, Shanley Caswell, Hayley McFarland, Joey King, Mackenzie Foy
 


 
Trailer (legendado):
 

domingo, 18 de agosto de 2013

Círculo de Fogo

 
Círculo de Fogo chega aos cinemas com a missão de suprir a carência de fãs de tokusatsus – seriados de produção japonesa que possuem como tema central robôs e monstros gigantes, famosos no Brasil nas décadas de 1980-1990 –  pois até então, nunca teve nas telonas uma superprodução descente e convincente. Após tanto alerde e divulgação, o ótimo e respeitado diretor Guillermo Del Toro nos apresenta sua grande homenagem, porém, talvez não consiga suprir toda a nostalgia pedida.
 
Quando várias criaturas monstruosas, conhecidas como Kaiju, começam a emergir do mar, tem início uma batalha entre estes seres e os humanos. Para combatê-los, a humanidade desenvolve uma série de robôs gigantescos, os Jaegers, cada um controlado por duas pessoas através de uma conexão neural. Entretanto, mesmo os Jaegers se mostram insuficientes para derrotar os Kaiju. Diante deste cenário, a última esperança é um velho robô, obsoleto, que passa a ser comandado por um antigo piloto (Charlie Hunnam) e uma treinadora (Rinko Kikuchi).
 
 
O diretor mexicano Guillermo Del Toro ficou conhecido perante o grande público a partir das obras O Labirinto do Fauno – filme que ganhou três Oscars das seis indicações que recebeu em 2007 –, Hellboy (2004) e Hellboy II – O Exército Dourado (2008). Nessas produções, fica claro o quanto o diretor é bom em criar seres fantásticos, logo, não teria ninguém melhor para produzir e dirigir um longa onde seres fantásticos predominam a história. Nesse sentido, eu concordo. Tanto os monstros alienígenas, quanto os robôs gigantes são perfeitos. Todos os detalhes, desde o sangue fosforescente dos aliens, que ao mesmo tempo é nojento, mas é lindo, até toda a movimentação e características físicas dos Jaegers são incríveis. É literalmente um deleite visual, e sem dúvida o grande ponto positivo do filme.
 
Juntando tudo isso, fica óbvio que as cenas de ação também são memoráveis. Pensando em todos os detalhes, o diretor quis filmar e fazer as cenas todas em escala real. Sendo assim, não vemos batalhas como vimos em Transformers, por exemplo. Nenhum robô gigante dá saltos de dez metros de altura e nem realiza saltos mortais no ar. Eles lutam e se locomovem seguindo a física real. Talvez o processo mais criativo e "fantasioso" é a neuroconexão que os pilotos dos Jaegers precisam ter para utiliza-los. Porém, tudo é feito de uma maneira descomplicada, que faz com que o telespectador entenda facilmente e não tenha que se preocupar com a "teoria científica" da coisa.
 
 
Como a ameaça é mundial, temos equipes e Jaegers do mundo todo. Isso é também uma boa ideia do roteiro, pois é possível  explorar ao todo cinco robôs gigantes, cada um com características e acessórios únicos. São vindos da China, Austrália, Estados Unidos, Japão e Rússia. É muito legal ver como cada um se comporta em batalha e como cada um se utiliza da sua tecnologia única (o Jaeger australiano é o mais novo e o mais rápido, por exemplo). Equipes diferentes, com comportamentos diferentes.
 
Porém, o que deixa a desejar é a construção e desenvolvimento dos personagens. É quase nulo. Temos um núcleo principal de três personagens que levam o roteiro até o fim, mas mesmo assim esse desenvolvimento é mal realizado. Os atores deixam a desejar tanto, acredito que o elenco foi mal escalado. Não sei se a intenção foi essa, mas os personagens são estereótipos exagerados já conhecidos. Temos os cientistas cômicos, o militar valentão, o capitão em fim de carreira, a garota "frágil" lutando para ser reconhecida, etc. Absolutamente nada que já não vimos anteriormente. O roteiro também não se preocupa muito com isso. Há situações "forçadas" e sem sentido em determinados momentos.
 
 
É explícito que Círculo de Fogo é uma grande homenagem a cultura japonesa, desde o início Guillermo não escondeu isso, porém é uma pena que o filme seja apenas isso. Uma homenagem. É uma obra que poderia ser lembrada para sempre, mas apenas nos satisfaz com uma simplicidade feita para consumo rápido, nos trazendo de uma certa maneira, uma satisfação quase infantil, com um festival de cores e sons. Supriu a minha necessidade nostálgica? Somente por ora.
 
 
7,5 PIPOCAS!
 
 
 
Ficha técnica:
 
Pacific Rim – EUA, 2013 – 131 min.
 
Direção: Guillermo Del Toro
 
Roteiro: Guillermo Del Toro, Travis Beacham
 
Elenco: Charlie Hunnam, Rinko Kikuchi, Idris Elba, Charlie Day, Max Martini, Burn Gorman, Rob Kazinsky, Ron Perlman, Clifton Collins Jr.
 


 
Trailer (legendado):
 
 

domingo, 11 de agosto de 2013

Wolverine – Imortal

 
Wolverine é o segundo personagem mais vendável da Marvel Comics (só perde para o Homem-Aranha), logo, não é à toa que o cinema explora ele ao máximo. Além de ser o "protagonista" nos três longas dos X-Men, ele teve um filme solo (com certeza uma das piores adaptações já realizadas) e quatro anos depois, estreia mais um longa nos cinemas, Wolverine – Imortal.
 
Após a morte de Jean Grey, Wolverine se sente extraído do mundo e não vê mais propósito para viver, e mais uma vez se entrega ao espírito medíocre vivendo nos bares e becos. É quando um homem que teve sua vida salva por Logan a décadas atrás, está a sua procura. Então Wolverine viaja para o Japão para poder revê-lo. E em gratidão por ter salvo a sua vida, seu amigo então lhe oferece a mortalidade.
 
 
O filme foi todo baseado na história em quadrinhos de Chris Claremont e Frank Miller intitulada Eu Wolverine (1982), em que Logan viaja ao Japão para recuperar o amor da bela Mariko Yashida. A ambientação e algumas referências da história são nítidas, mas há  uma vasta liberdade em relação aos quadrinhos. A começar pelo motivo que leva o herói ao Japão. Isso foi o que mais me desagradou, pois o Wolverine nunca foi imortal. Nas HQs é bem claro que ele envelhece, porém de uma maneira mais devagar do que as pessoas comuns, graças ao seu fator de cura. Apesar disso, todos os personagens japoneses – inéditos no cinema – são bem desenvolvidos e sua relação com o mutante é satisfatória. A ambientação também agrada, é raro um filme considerado blockbuster de Hollywood ter tantos trechos com legendas e ser respeitoso à tradição que está sendo retratada. Todos os cenários são lindos. Vimos desde a periferia de Tóquio, com ruas cheias, prédios pequenos e comércio de rua, até vilarejos modestos e paisagens deslumbrantes.
 
 
Até certo ponto, o filme não parece ser um filme de super-heróis convencional. Tem sensibilidade e paciência ao retratar os momentos entre Logan (Hugh Jackman) e Mariko (Tao Okamoto). As cenas de ação são boas, bem coreografadas com estética que lembram muito os quadrinhos. Com exceção apenas da sequência do trem bala que achei extremamente exagerada. Porém, as concessões do clímax, que tenta recuperar o entusiasmo que acredita ter perdido no desenvolvimento tranquilo do filme é com certeza o erro do longa. Explodem aí na tela os vilões cartunescos, que explicam seus planos, demonstram poderes e cometem suas atrocidades, no caminho devastando um dos grandes personagens japoneses da Marvel, o Samurai de Prata.
 
Felizmente, o saldo é positivo e, diferente das expectativas, não vai enterrar a franquia do mutante no cinema. Não julguem o pobre Logan pelo seu último filme solo. E assistam a cena pós-créditos, ela é um teaser referente ao próximo filme mutante X-Men – Dias de um Futuro Esquecido!
 
 
7 PIPOCAS!
Ficha técnica:
 
The Wolverine – EUA, 2013 – 126 min.
 
Direção: James Mangold
 
Roteiro: Mark Bomback, Scott Frank
 
Elenco: Hugh Jackman, Famke Janssen, Svetlana Khodchenkova, Hal Yamanouchi, Tao Okamoto, Hiroyuki Sanada, Rila Fukushima, Brian Tee, Will Yun Lee
 


 
Trailer (legendado):
 
 

domingo, 28 de julho de 2013

O Homem de Aço


A jornada do Superman nos cinemas foi difícil. Depois dos cultuados seriados cinematográficos dos anos 1940, e os dois primeiros filmes com Christopher Reeve que são aclamados até hoje como duas das melhores adaptações de quadrinhos de super-heróis para o cinema, tivemos as outras duas continuações não tão queridas assim, e em 2006, o diretor Bryan Singer fez um filme-homenagem que desagradou a maioria. Mas, após o estrondoso sucesso da trilogia Batman de Christopher Nolan, a Warner aposta em mais uma adaptação, desta vez, O Homem de Aço.

Nascido em Krypton, o pequeno Kal-El viveu pouco tempo em seu planeta natal. Percebendo que o planeta estava prestes a entrar em colapso, seu pai (Russell Crowe) o envia ainda bebê em uma nave espacial, rumo ao planeta Terra, e levando com ele importantes informações de seu povo. Contrariado com tal atitude, o General Zod (Michael Shannon) tenta impedir a iniciativa e acaba preso. Já em seu novo lar, a criança foi criada por Jonathan (Kevin Costner) e Martha Kent (Diane Lane), que passaram a chamá-lo de Clark. O tempo passa, seus poderes vão aparecendo e se tornando, de certa forma, um problema, porque isso evidencia que ele não é um ser humano. Já adulto, Clark (Henry Cavill) se vê obrigado a buscar um certo isolamento porque não consegue resistir aos salvamentos das pessoas e sempre precisa sumir do mapa para não criar problemas para seus pais. Mas o terrível Zod conseguiu se libertar e descobriu seu paradeiro. Agora, a humanidade corre perigo e talvez tenha chegado a hora das pessoas conhecerem aqueles que passarão a chama de o Superman.

O início do filme se passa todo em Krypton. Foi criada uma nova mitologia para o planeta alienígena, e afirmo que de uma maneira linda. Há criaturas, paisagens e toda uma tecnologia específica bem diferentes do que estamos acostumados a ver nas adaptações anteriores. Os cenários e a geologia me lembraram os mesmos criados pelo ilustrador H. R. Giger para a série Alien. Detalhes da origem e motivos da destruição do planeta foram alterados, mas de uma maneira plausível e que não chegam a prejudicar a história. Sem dúvidas o visual é um ponto forte do longa.


Outro ponto positivo é a maneira não-linear  que o diretor Zack Snyder conta a história. Li críticas reclamando do excesso de flashbacks, mas eu discordo, achei que foram muito bem utilizados, de uma maneira simples e didática. São nessas cenas que o público consegue se relacionar com Clark Kent, vê-lo não como um alienígena, mas como alguém com sentimentos tão comuns quanto os seus. Contado em fragmentos, com boas elipses (o corte que acontece depois da queda da nave no Kansas é surpreendente) e flashbacks emotivos, O Homem de Aço não é um filme de heróis típico.

O vilão – ou vilões – também me agradaram. Não sou um leitor da DC Comics, então não posso dizer se a adaptação dos quadrinhos foi fiel ou não, mas o general Zod foi muito convincente. Houve momentos que me vi compreendendo os motivos pelo qual o renegado lutava. A caracterização, o armamento utilizado e as naves de transporte  foram bem utilizados dentro do contexto. Foram objetos típicos de uma boa ficção científica.

 
Mas, infelizmente o filme não possui só pontos positivos. O principal erro no meu ver foi o mal desenvolvimento dos personagens principais. Lois Lane é um exemplo. A sua personagem é introduzida na trama de uma maneira até aceitável, mas a evolução dela não. Desde o primeiro encontro da repórter com o Superman, até toda a importância que ela ganha no decorrer da história são bem mal explicados. Como o Kal-El descobre a sua origem e "ganha" seu uniforme não faz o menor sentido. Até a invasão alienígena que acontece na Terra é muito bem aceita por todos. Isso é forçar a barra para "esconder" furos de roteiro. Que por sinal, teve o desenvolvimento de Nolan.

É claro que como um filme de ação, ao contrário da versão de 2006, O Homem de Aço tem muita. E de uma forma espetacular. Claro que isso se deve ao estilo do próprio Snyder, que filma lutas como ninguém, com seus takes mais longos e físicos, privilegiando o impacto. Não só o Superman que parte para a porrada, como até seu pai, Joe-El (Russel Crowe), abandona a fachada de cientista calmo para revelar-se um sujeito cheio de recursos e capaz de tudo para defender a família e o planeta. A batalha final entre a tropa de Zod com o Superman, é incrível. Literalmente são dois deuses lutando entre meros humanos, e destruindo tudo ao seu redor sem o menor controle. Destruição épica. Cenas rápidas e complexas ao mesmo tempo. Fica difícil até de imaginar como foram filmadas. Típico filme que possui uma experiência única visto no cinema.


Assim, não é um pássaro... não é um avião... é apenas um filme, cuja missão de proteger o entretenimento foi plenamente garantida. Foi apresentado uma nova origem para o herói no cinema, de uma forma diferente e atual, com um desfecho que marca quem é este novo e sisudo Superman, que chega adaptado ao momento, carregando não apenas os valores pelos quais é conhecido, mas alguém que é capaz de reagir e tomar o controle da situação.


 
7 PIPOCAS!



Ficha técnica:

Man Of Steel – EUA, 2013 – 143 min.

Diretor: Zack Snyder

Roteiro: Christopher Nolan, David S. Goyer

Elenco: Henry Cavill, Diane Lane, Amy Adams, Michael Shannon, Kevin Costner, Ayelet Zurer, Russell Crowe, Harry Lennix, Lawrence Fishburne, Christopher Meloni, Antje Traue, Richard Schiff




Trailer (legendado):